Líder dos EUA conclama mundo a reverenciar ícone antiapartheid pelo combate à desigualdade e à injustiça

Descrevendo Nelson Mandela como "gigante da história" e o "último grande libertador do século 20", o presidente dos EUA, Barack Obama, conclamou nesta terça-feira (10) o mundo a reverenciar o legado do ex-presidente sul-africano combatendo a desigualdade, a pobreza, a injustiça e o racismo. Mandela morreu em 5 de dezembro aos 95 anos.

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Dilma: Luta de Mandela cruzou fronteiras da África do Sul e inspirou o mundo

Imagem de Barack Obama é projetada em telão durante discurso em Johanesburgo
AP
Imagem de Barack Obama é projetada em telão durante discurso em Johanesburgo

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Em um discurso que recebeu vários aplausos e uma ovação de pé durante uma cerimônia em Johanesburgo em homenagem ao ex-presidente , Obama conclamou as pessoas a aplicar as lições de Mandela, que saiu da prisão após 27 anos sob um regime racista, aproximou-se de seus inimigos quando finalmente caminhou para a liberdade e fomentou uma nova era de persão e reconciliação na África do Sul.

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"Nós também temos de agir em nome da justiça. Nós também devemos agir em nome da paz", disse Obama, que, como Mandela, tornou-se o primeiro presidente negro de seu país. Obama contou que, quando era um estudante, Mandela "me despertou para as minhas responsabilidades - com outros, comigo mesmo - e me pôs no curso de uma jornada improvável que me trouxe aqui hoje".

Obama relembrou que, "ao redor do mundo ainda hoje, homens e mulheres ainda estão aprisionados por suas crenças políticas; e ainda são perseguidos por sua aparência, suas crenças ou pela forma como amam".

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Cerimônia por Mandela:  Obama troca aperto de mão com presidente de Cuba

Entre os quase cem chefes de Estado e de governo que compareceram à cerimônia, estavam alguns de países como Cuba, que não realiza eleições totalmente democráticas. Antes de discursar, Obama trocou um aperto de mão com o presidente cubano , Raúl Castro, destacando uma recente melhora nas relações entre os dois países.

Em seu pronunciamento, o presidente americano afirmou que Mandela ganhou seu lugar na história pela luta, a persistência, a fé, comparando-o a Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr. e Abraham Lincoln.

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A presidente Dilma Rousseff discursou logo após Obama. Em seu pronunciamento, a líder brasileira afirmou que luta de Mandela contra o apartheid (regime de segregação racial) cruzou as fronteiras da África do Sul e inspirou o mundo.

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Multidões convergiram para o Estádio FNB (Soccer City) em Soweto, subúrbio que foi um reduto de apoio à luta contra o apartheid que Mandela incorporou enquanto era um prisioneiro do regime de dominação branca e então durante um frágil transição para eleições multirraciais que o tornaram presidente em 1994.

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Apesar de uma chuva contínua, a atmosfera dentro do estádio era de celebração, com muitas pessoas dançando, soprando vuvuzelas e cantando músicas da luta antiapartheid. Muitos seguravam cartazes em honra de "Madiba", nome do clã de Mandela, ou apenas seu retrato. Outros estavam cobertos com materiais com sua face ou as cores verde, amarela, vermelha e azul da bandeira sul-africana.

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Esta terça-feira marca o 20º aniversário do dia em que Mandela e o último presidente branco da África do Sul, F.W. de Klerk, receberam o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para trazer paz ao país. A data também coincide com o Dia dos Direitos Humanos da ONU.

Na época, Mandela disse em seu discurso de aceitação: "Vivemos com a esperança de que, enquanto ela se debate para se refazer, a África do Sul será como um microcosmo do novo mundo que deseja nascer."

*Com AP e Reuters

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