Explosões perto de mesquitas deixam ao menos 42 mortos em Trípoli, no Líbano

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Ataques ferem mais de 500 e reforçam temores de conflito sectário em país profundamente afetado por guerra síria

Duas fortes explosões detonadas do lado de fora de mesquitas na cidade libanesa de Trípoli deixaram ao menos 42 mortos nesta sexta-feira (23), informaram fontes de segurança e do setor de saúde. Segundo o jornal New York Times, o prefeito de Trípoli, Nader Ghazal, foi citado pela mídia libanesa dizendo que ao menos 50 morreram. A Cruz Vermelha do Líbano informou que mais de 500 ficaram feridos.

Em Beirute: Explosão de carro-bomba atinge reduto do Hezbollah

AP
Libaneses correm entre carros queimados no local de uma explosão do lado de fora de uma mesquita em Trípoli, Líbano

Em julho: Explosão atinge reduto do Hezbollah em Beirute, Líbano

Os ataques foram uma grande escalada da violência sectária no Líbano, país profundamente mexido pelo conflito na vizinha Síria, e reforçaram temores de que o Oriente Médio possa estar mergulhando em uma guerra entre sunitas e xiitas.

As explosões, as maiores e mais mortais em Trípoli desde o fim da guerra civil de 1975-1990 no Líbano, detonaram enquanto as orações da sexta terminavam na maior parte da cidade sunita muçulmana. Os ataques aconteceram uma semana depois de uma enorme explosão deixar mais de 20 mortos em um reduto do movimento xiita militante Hezbollah em Beirute.

Imagens aéreas transmitidas por emissoras de TV local mostravam fumaça preta tomando conta do céu da cidade e corpos espalhados ao lado de carros queimados.

As explosões ocorrem em meio a tensões no Líbano em decorrência da guerra civil na Síria, que polarizou o país internamente em linhas sectárias e entre partidários e opositores do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Hezbollah: Conheça a história do movimento xiita libanês

Trípoli, uma cidade predominantemente muçulmana sunita, presenciou frequentes batalhas entre sunitas e alauítas, uma ramificação dos xiitas a qual pertence Assad. Mas Trípoli raramente foi alvo de explosões desse tipo nos últimos anos.

Os ataques também marcam a primeira vez nos últimos anos que explosões atingem redutos sunitas e podem elevar as tensões sectárias no país. Até o momento, nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos atentados. 

Cenário: Hezbollah posiciona Líbano na defesa de Assad na Síria

Autoridades de segurança disseram que as explosões aconteceram perto de mesquitas na sexta, dia muçulmano da oração, e os locais provavelmente estariam cheios.

Uma autoridade afirmou que uma das explosões atingiram a mesquita de Taqwa, local onde geralmente xeque Salem Ragei, um clérigo salafita opositor ao grupo militante libanês Hezbollah, faz suas preces.  Não ficou claro se Ragei estava dentro da mesquita, mas a Agência de Notícias Nacionais do Líbano diz que ele não está ferido.

NYT: Hezbollah assume riscos ao combater rebeldes sírios em defesa de Assad

A segunda explosão veio cerca de cinco minutos depois do bairro de Mina do lado de fora da mesquita Salam. Os fiéis das duas mesquitas são opositores a Assad e a seu aliado libanês, Hezbollah.

Com AP, Reuters e New York Times

Leia tudo sobre: líbanotrípoliexplosãoxiitasunitasíriaassadhezbollah

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas