EUA espionam computadores da China, diz americano que vazou documentos

Por iG São Paulo |

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Em meio a troca de acusações por guerra cibernética entre Washington e Pequim, Edward Snowden diz a jornal que EUA hackearam rede de universidade em Hong Kong

Por meses, a China rebate os EUA por suas acusações de que Pequim lança ataques cibernéticos contra seus computadores e sistemas. Agora, o ex-funcionário terceirizado da CIA Edward Snowden pode ter dado uma moeda de troca a Pequim. Em entrevista ao jornal South China Morning Post, Snowden afirma que os EUA têm hackeado uma universidade de Hong Kong que encaminha todo o tráfego de internet dentro e fora da região semiautônoma da China.

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Reprodução/ Guardian
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Snowden diz que os 61 mil alvos da Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) ao redor do mundo incluem centenas em Hong Kong e na China, informou o jornal na quarta-feira (12). O The Post, o principal jornal de língua inglesa em Hong Kong, disse que Snowden apresentou documentos para apoiar essas alegações, mas a publicação não descreveu os documentos e disse não ser possível verificar sua autenticidade.

Essas foram as primeiras novas revelações de Snowden desde que o americano de 29 anos afirmou ser a fonte do vazamento de programas de monitoramento secretos da agência americana. Ele deixou o Havaí rumo a Hong Kong antes de revelar ao mundo sua identidade e, segundo o Post, ele deve permanecer fora de vista em meio às especulações de que os EUA tentarão extraditá-lo.

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Snowden, que trabalhou para a CIA e depois como terceirizado para a NSA, revelou detalhes sobre programas de monitoramento americanos que coletam milhões de registros telefônicos americanos e conteúdos de email e atividades online de estrangeiros para caçar terroristas. As autoridades preparam um inquérito contra Snowden, mas ainda discutem as acusações.

Autoridades americanas debatem sobre algumas das afirmações feitas por Snowden, particularmente uma ao jornal britânico The Guardian, para o qual ele afirmou que "tinha autoridade de fazer escutas de qualquer um". Ele também disse que ganhava um salário de US$ 200 mil por ano, enquanto a empresa Booz Allen Hamilton, onde ele trabalhava antes de ser demitido esta semana, afirma que seu salário era de US$ 122 mil anuais.

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As afirmações de Snowden sobre a espionagem dos EUA acrescentam uma nova contenda na longa batalha entre Washington e Pequim sobre cibersegurança. Os EUA apresentaram uma série de relatórios acusando o governo chinês e o Exército de realizar invasões nos sistemas e computadores americanos.

A reação foi mais forte na internet. O coronel da Força Aérea Dai Xu, conhecido por suas opiniões linha-dura, afirmou no microblog Sina: "Eu sempre disse, as acusações dos EUA sobre os ciberataques chineses sempre foram um caso de ladrão que chora porque outro ladrão foi capturado."

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O The Post citou Snowden dizendo que a NSA hackeiam computadores em Hong Kong e na China desde 2009, citando documentos que ele teria mostrado ao jornal, mas que, segundo a publicação, não poderiam ser verificados. A públicação não deu mais detalhes sobre os documentos.

Ele disse que entre os alvos estava a Universidade de Hong Kong, que abriga a Internet Exchange de Hong Kong, o principal eixo do tráfego da internet na cidade. Estabelecida em 1995, permite que os dados entre os servidores locais sejam encaminhados localmente em vez de ter que passar pelas comunicações de outros países, incluindo os EUA.

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"Nós hackeamos as espinhas dorsais da rede - como grandes roteadores de internet, basicamente - que dão acesso às comunicações de centenas de milhares de computadores sem ter que hackear cada um deles", disse Snowden ao Post.

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De acordo com os documentos de Snowden, outros alvos da NSA incluem autoridades públicas de Hong Kong e empresários, bem como alvos na China, embora eles não incluam sistemas militares chineses, informou o jornal, sem dar mais detalhes.

Um grande número de empresários, incluindo os de estatais, possuem escritórios em Hong Kong, uma ex-colônia britânica que voltou ao controle da China em 1997. O Exército da Libertação Popular possui uma base em Hong Kong e o governo central de Pequim e departamentos de relações exteriores possuem escritórios.

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A Universidade de Hong Kong disse em comunicado que "todo esforço é feito para proteger" as comunicações e que  o sistema é monitorado a todo tempo para defender-se contra ameaças. "A universidade não detectou nenhuma forma de invasão na rede, que está funcionando normalmente."

Com AP

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