Ataque em Boston: O que se sabe até agora dos irmãos Tsarnaev

Por BBC |

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Conheça a história dos dois irmãos chechenos que residiram no cáucaso russo e são suspeitos de ter realizado duas explosões na linha de chegada da Maratona de Boston

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Órgãos de mídia dos Estados Unidos procuram rastrear o processo de radicalização pelo qual teriam passado os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, autores do atentado da Maratona de Boston, na semana passada.

Os dois irmãos chechenos residiram na ex-república soviética do Quirguistão e depois na república do Daguestão, que integra a Rússia. Parte da família Tsarnaev se mudou para os Estados Unidos no início desta década.

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AP
Tamerlan Tsarnaev (esq.) e Dzhokhar Tsarnaev (dir.) são os suspeitos do ataque à Maratona de Boston

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Tamerlan, o irmão mais velho, de 26 anos, era um bem-sucedido atleta, que estava treinando para ser um boxeador profissional e sonhava ingressar na equipe olímpica dos Estados Unidos. Em uma entrevista ao jornal local The Lowell Sun, ele teria afirmado: "Eu gosto dos Estados Unidos...na América há vários empregos. Algo que a Rússia não possui. Você tem chance de fazer dinheiro aqui se você está disposto a trabalhar muito."

Mas na época ele também afirmou que não tinha "um único amigo americano" e que não conseguia entendê-los.

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Dzhokhar, de 19 anos, ingressou na Universidade de Massachussetts em Dartmouth, onde era descrito por colegas como um aluno popular. Em sua conta no VKontakte, o equivalente russo ao Facebook, Dzokhar descreveu sua "visão de mundo" como sendo "islâmica" e sua prioridade na vida como sendo "carreira e dinheiro".

'Infeliz e raivoso'

O jornal Boston Globe retrata Tamerlan, que morreu em um confronto com a polícia na sexta-feira de madrugada, como um "imigrante cada vez mais militante, cuja família descrevia como sendo alguém infeliz e raivoso".

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O Boston Globe conta que, em duas ocasiões, Tsarnaev interrompeu discursos de pregadores muçulmanos da mesquita em que frequentava, na cidade de Cambridge, próxima a Boston.

Em uma delas, em novembro do ano passado, Tsarnaev interrompeu o autor de um discurso que dizia que era igualmente aceitável celebrar feriados não-islâmicos como o Dia de Ação de Graças e o 4 de Julho, o Dia da Independência dos Estados Unidos, como celebrar o aniversário do profeta Maomé.

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Em janeiro deste ano, Tsarnaev voltou a interromper um pregador da mesquita que comparava o profeta Maomé ao ativista pacifista Martin Luther King Jr.

De acordo com o porta-voz da mesquita, Yusufi Vali, em janeiro, Tsarnaev acusou o pregador de ser um incrédulo e um hipócrita que estava contaminando a mente das pessoas. Ele teria sido expulso da mesquita aos gritos por outros fiéis.

FBI
Frame de vídeo divulgado pelo FBI mostra Tamerlan (de boné preto) à frente de Dzhokhar (de boné branco)

Vali conta, no entanto, que na ocasião ninguém encarou os incidentes como sendo algo mais sério. "Era alguém expressando sua opinião", afirma. "Não havia nada que sugerisse que ele ele iria matar uma pessoa."

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A mesquita de Cambridge também afirmou, em um comunicado oficial que, durante as visitas dos irmãos Tsarnaev "eles nunca exibiram qualquer sentimento ou comportamento violento. Caso contrário, eles teriam sido imediatamente reportados ao FBI".

Militância via YouTube

O jornal Washington Post afirma que a partir de agosto do ano passado, a conta de YouTube de Tamerlan Tsarnaev começou a adquirir um tom de "puritanismo religioso" muçulmano, devido aos vídeos que ele passou a postar.

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A suposta transformação ideológica de Tsarnaev, afirma o jornal, espelha a guinada vivida por repúblicas ou ex-repúblicas russas da região do Cáucaso - como a Chechênia, o Quirguistão e o Daguestão, em que os irmãos moraram.

Segundo o jornal, a conflito da Chechênia, inicialmente de caráter separatista na década de 1990, ganhou contornos religiosos, o que também marca a situação atual na república vizinha do Daguestão.

De acordo com o jornal, "a exata trajetória de Tsarnaev rumo ao radicalismo começou a emergir em 2011, quando ele entrou no radar dos serviços russos de segurança. E se acelerou no final de 2012 após seu retorno aos Estados Unidos, depois de um período de seis meses no Cáucaso, quando amigos notaram nele um novo fervor religioso e político".

'Trabalho de Deus'

A emissora CBS entrevistou um tio dos irmãos Tsarnaev, Ruslan Tsarni, que disse ter tido um desentendimento com Tamerlan devido à sua crescente devoção ao Islã. O tio contou ter mantido uma conversa telefônica com Tamerlan em 2009, na qual o sobrinho relatou que havia escolhido fazer ''o trabalho de Deus'' em vez de estudar ou trabalhar.

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Tsarni teria em seguida conversado com um amigo da família, que teria dito que o comportamento de Tsarnaev havia sido influenciado por sua recente conversão ao Islã.

O tio conta que sua relação com o sobrinho praticamente foi encerrada após o telefonema. Quanto ao irmão mais novo, Dzhokhar Tsarnaev, Tsarni afirma "que ele foi totalmente estragado pelo irmão mais velho". "Quero dizer, ele o usou. Ele o usou para o que quer seja que ele tenha feito."

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Policial sorri e outro faz sinal de positivo após prisão de suspeito por ataque em Boston. Foto: APImagens cedidas pela CBS mostram momento em que Dzhokhar Tsarnaev sai do barco. Foto: Reprodução/BBCMulheres comemoram depois de prisão de suspeito por ataque em Boston. Foto: APCom rosto abatido, presidente dos EUA, Barack Obama, faz pronunciamento após prisão de suspeito que estava foragido em Boston. Foto: APPolícia observa enquanto ambulância deixa rua Franklin no fim da caçada por Dzhokhar Tsarnaev, suspeito de ataque em Boston. Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra Dzhokhar Tsarnaev, suspeito por ataque em Maratona de Boston, em ambulância depois de ser capturado em barco. Foto: APPolicial monta guarda em local de busca de suspeito por ataque a Maratona de Boston
. Foto: APPoliciais buscam suspeito por ataque a Maratona de Boston em  Watertown, Massachusetts. Foto: APSuspeito de ataque foi cercado no quintal de uma casa na Rua Franklin, em Watertown, e se escondeu dentro de um barco. Foto: Reprodução/Google MapsPoliciais são vistos durante cerco a suspeito por ataque em Boston. Foto: APMoradores de Watertown acompanham cerco da polícia à distância. Foto: APEquipe da Swat marcha em bairro enquanto fazem buscas por suspeito de ataque em Boston em Watertown, Massachusetts. Foto: APPoliciais da SWAT vasculham casas em Watertown, em Massachusetts, em busca de suspeito de atentato em Boston. Foto: ReutersMulher observa pela janela movimentação de policiais em busca de suspeitos no subúrbio de Watertown. Foto: ReutersMoradores de Watertown acompanham da janela ação de policiais. Foto: APPolícia caça segundo suspeito de ataque na Maratona de Boston, na última segunda-feira. Foto: ReutersPolicial toma posição em caçada a suspeito de atentato . Foto: ReutersRuas foram interditadas, escolas fechadas e sistema de transporte público suspenso nesta sexta-feira. Foto: ReutersTécnicos em bombas inspecionam ruas em Watertown. Foto: ReutersPoliciais caçam segundo suspeito em Watertown, Massachusetts. Foto: APPoliciais param carros em busca de suspeito de atentados. Foto: APFuncionário fecha porta de estação de trem após recomendação da polícia. Foto: APPolicial corre com a arma na mão em busca de suspeito em Watertown. Foto: AP

A rede ABC ouviu vizinhos dos irmãos Tsarnaev que se disseram surpresos que os dois pudessem estar por trás dos ataques que deixaram três mortos e 180 feridos.

Matthew Stuber, 29 anos, que vive ao lado da residência da família Tsarnaev, descreveu o jovem Dzokhar como ''um menino menino querido, jovem, normal e muito americano". Stuber conta ter visto Dzokhar jogando futebol quando ele estava crescendo e disse estar convencido de que seu envolvimento no ataque pode ter sido uma consequência de ele ter sido "corrompido" pelo irmão mais velho, que ele acredita teria "uma forte influência" sobre Dzokhar.

O vizinho afirma ser difícil pensar como o jovem que ele viu crescer seria capaz de ter calculado o passo a passo de um ataque brutal. ''Ele escolheu um lugar, ele viu os rostos das pessoas. Para mim, é difícil acreditar que um jovem sem qualquer experiência de vida seja capaz...mas talvez eu esteja colocando culpa demais no irmão", comenta.

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