Presidente da República Centro-Africana foge para Camarões após golpe

Por iG São Paulo |

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Em retaliação à tomada de poder por Seleka, União Africana suspende país e impõe sanções a líderes rebeldes; 13 soldados sul-africanos morreram em confrontos na RCA

O secretário-geral camaronês, Ngoh Ngoh, disse nesta segunda-feira que o presidente deposto da República Centro-Africana (RCA), François Bozizé, fugiu para Camarões e busca refúgio temporário antes de dirigir-se a outro país. No domingo, a informação era de que Bozizé talvez tivesse se dirigido à República Democrática do Congo.

Golpe: Rebeldes tomam capital da República Centro-Africana e presidente foge

Reuters
Pessoas se reúnem ao redor de caminhã dos rebeldes da Seleka queimado em Begoua, a 17 km da capital Bangui (23/03)

Pressão em janeiro: Presidente da República Centro-Africana se recusa a deixar o cargo

De acordo com Ngoh Ngoh, Camarões quer um rápido retorno da paz e da estabilidade na RCA após rebeldes terem tomado o controle da capital do país, Bangui, no fim de semana.

De acordo com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, 13 soldados sul-africanos foram mortos durante uma batalha de nove horas contra os rebeldes que avançavam sobre Bangui, em um revés para os esforços da África do Sul de projetar sua influência na região. O país tinha 200 soldados na cidade para impedir que a coalizão de cinco grupos rebeldes Seleka tomasse o poder.

Em retaliação ao golpe, a União Africana (UA) suspendeu nesta segunda o país e impôs sanções contra os líderes da Seleka, cujo nome significa "aliança" na língua Songo. "O conselho pede a todos os Estados-membros que tomem as medidas necessárias para isolar completamente os autores dessa mudança de poder anticonstitucional", disse o chefe do conselho de segurança e paz da UA, Ramtane Lamamra, acrescentando que a medida inclui restrições de viagem e congelamento de bens dos líderes da Seleka.

O líder rebelde Michel Djotodia disse que manteria um acordo de paz que prevê eleições em três anos. Ele também se comprometeu a nomear um governo de partilha de poder, como prevê um acordo assinado em janeiro em Libreville (capital do Gabão), após declarar-se o novo presidente do país no domingo. "Não estamos aqui para fazer uma caça às bruxas", disse Djotodia à Radio France Internationale (RFI).

AP
Francois Bozizé, presidente da República Centro-Africana, concede entrevista (janeiro/2013)

EUA, França e a liderança regional Chade apelaram a Djotodia para respeitar os termos do acordo, que tinha criado um governo a ser formado por líderes rebeldes, a oposição civil e partidários de Bozizé. A negociação foi liderada pelo primeiro-ministro Nicolas Tiangaye, ex-advogado e membro da oposição civil.

"Respeitaremos o acordo de Libreville: uma transição política de dois a três anos antes das eleições", disse o porta-voz da Saleka, Eric Massi, por telefone. "O atual primeiro-ministro permanece e o gabinete será um pouco modificado."

A Seleka acusou Bozizé de quebrar o acordo de janeiro ao não incluir seus combatentes no Exército. Os rebeldes iniciaram o golpe na quinta, rapidamente varrendo o sul até tomar a capital, passando por uma força sul-africana de 400 soldados que tentou defender Bangui.

Segundo o porta-voz Massi, a capital Bangui estava calma na manhã desta segunda, embora a Seleka ainda tentasse conter os saques esporádicos que começaram no domingo após a queda de Bozizé.

Além da UA, a tomada do poder pela coalizão rebelde Seleka - o mais recente de uma série de golpes e rebeliões desde que a nação rica em minerais obteve a independência da França, em 1960 - foi rapidamente condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, condenou no domingo "a captura inconstitucional de poder" e exigiu a restauração constitucional do poder na RCA.

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