Argélia cerca radicais e debate ajuda externa para pôr fim a sequestro de reféns

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Desde 4ª, grupo ligado à Al-Qaeda mantém estrangeiros em campo de gás e exige fim de intervenção da França no Mali; Argélia considera ajuda americana e francesa contra impasse

Soldados da Argélia mantêm nesta quinta-feira o cerco a um campo de gás natural na desértica região sul da Argélia onde trabalhadores estrangeiros são mantidos como reféns por militantes islâmicos desde quarta. De acordo com o Serviço de Imprensa da Argélia, 30 funcionários argelinos escaparam da instalação nesta quinta. Segundo uma fonte de segurança citada pela Associated Press, o governo argelino discute com os EUA e a França se uma força internacional poderia ajudar a pôr fim ao impasse.

Quarta: Grupo ligado à Al-Qaeda faz estrangeiros reféns em usina de gás da BP na Argélia

AP
Foto sem data mostra campo de gás natural de Amenas, na Argélia

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O grupo Katibat Moulathamine ("Brigada Mascarada"), fundado por um importante membro da Al-Qaeda no Norte da África, ocuparam o complexo de Ain Amenas, perto da fronteira com a Líbia, depois de matarem um britânico e um argelino. O campo de gás é operado pela estatal de petróleo da Argélia, Sonatrach, juntamente com a petrolífera britânica BP e a norueguesa Statoil.

Os agressores mantêm os estrangeiros em uma área do quarteirão residencial, que as forças de segurança e o Exército cercaram, segundo o ministro do Interior argelino, Daho Ould Kabila. De acordo com um funcionário citado pelo francês Le Figaro, os sequestradores puseram minas na instalação e reivindicam alimentos, água e veículos.

Citando um dos reféns, a emissora France 24 disse que os militantes forçaram algumas das pessoas presas a vestir cinturões com explosivos, estão fortemente armados e ameaçaram explodir a instalação se o Exército argelino tentar libertar os reféns. A France 24 informou que não tinha como verificar se o homem com que falou por telefone, um funcionário do local invadido que pediu anonimato, falava sob pressão dos militantes.

O grupo, que disse que a ação é uma retaliação à Argélia por permitir que a França use seu espaço aéreo para lançar ataques contra grupos rebeldes vinculados à rede terrorista no norte do Mali, diz estar com 41 estrangeiros. Mas, segundo a Argélia, haveria 20 reféns, incluindo americanos, britânicos, noruegueses, franceses e japoneses.

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A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, disse na quarta ter informações de que "cidadãos americanos estão entre os reféns". Nesta quinta, o secretário da Defesa americano, Leon Panetta, disse que não poderia confirmar o número exato de cidadãos do país.

Porta-vozes dos militantes dizem que eles divulgaram uma lista de demandas. Uma declaração supostamente dos que mantêm o controle dos reféns pediram um fim à intervenção militar francesa no Mali. Além disso, afirmaram que os reféns serão mortos se soldados tentarem resgaté-los. "Invadir o complexo seria fácil para o Exército argelino, mas o resultado seria desastroso", advertiu.

De acordo com o ministro do Interior argelino, os radicais querem deixar o país com os reféns, mas ele rejeitou a demanda. "A Argélia não responderá às demandas terroristas e rejeita todas as negociações", disse o Kabila, que negou que os militantes fossem do Mali ou da Líbia.

O ministro disse que os sequestradores são argelinos e operam sob as ordens de Mokhtar Belmokhtar, um graduado comandante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico desde o fim do ano passado, quando ele montou seu próprio grupo armado depois de aparentemente ter se indisposto com outros líderes.

AP
Diretor de assuntos externos da companhia de petróleo da Noruega, Lars Christian Bacher, dá coletiva sobre ataque contra usina na Argélia (16/01)

Além dos dois mortos pelo ataque de quarta, seis outras pessoas ficaram feridos, incluindo dois britânicos, um norueguês, dois policiais e um agente de segurança, informou a agência de notícias estatal do país.

Nesta quinta-feira, o secretário de Relações Externas do Reino Unido confirmou que um britânico foi morto e que "vários" outros eram mantidos como reféns. "Essa é, portanto, uma situação muito perigosa", disse, acrescentando que o governo britânico trabalha sem parar para tentar resolver a situação.

O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, disse acreditar que há 13 funcionários da Statoil como reféns na usina. O chanceler irlandês Eamon Gilmore confirmou a existência de um cidadão da Irlanda entre os reféns. A França disse que não poderia confirmar se há qualquer francês no grupo.

*Com BBC, AP e Reuters

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