Informações conflitantes indicam que entre 15 e 20 estrangeiros e entre 30 e 40 argelinos fugiram de campo de gás natural onde estavam presos desde quarta-feira

Alguns reféns escaparam de um campo de gás natural na desértica região sul da Argélia onde militantes islâmicos mantêm dezenas de outras pessoas presas desde quarta, disseram autoridades e a imprensa local. Detalhes da fuga e o número de envolvidos não estão claro, mas há informações de que entre 15 e 20 estrangeiros e entre 30 e 40 argelinos escaparam.

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Foto sem data mostra campo de gás natural de Amenas, na Argélia
AP
Foto sem data mostra campo de gás natural de Amenas, na Argélia

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À Associated Press, um funcionário de segurança disse que ao menos 20 estrangeiros fugiram. Sem dar mais detalhes, essa fonte afirmou que americanos e europeus estão entre os que conseguiram escapar. Já o canal argelino Ennahar disse que 15 estrangeiros fugiram.

Previamente, o Serviço de Imprensa da Argélia afirmou que 30 funcionários argelinos haviam escapado da instalação, enquanto o canal Ennahar colocava o número em 40, sendo a maioria mulheres que trabalham como tradutoras.

Na quarta, os militantes disseram que mantinham 41 estrangeiros como reféns, enquanto o governo argelino afirmava que haveria 20, incluindo americanos, britânicos, noruegueses, franceses e japoneses.

As forças argelinas mantêm um cerco aos radicais no complexo de Ain Amenas, perto da fronteira com a Líbia, que foi ocupado na quarta depois de um ataque matar um britânico e um argelino. O campo de gás é operado pela estatal de petróleo da Argélia, Sonatrach, juntamente com a petrolífera britânica BP e a norueguesa Statoil.

O grupo Katibat Moulathamine ("Brigada Mascarada"), fundado por um importante membro da Al-Qaeda no Norte da África, reivindicou a ação, afirmando que é uma retaliação à Argélia por permitir que a França use seu espaço aéreo para lançar ataques contra grupos rebeldes vinculados à rede terrorista no norte do Mali.

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Os agressores mantêm os reféns em uma área do quarteirão residencial, que as forças de segurança e o Exército cercaram, segundo o ministro do Interior argelino, Daho Ould Kabila. Um fonte da segurança argelina disse que os militantes armados exigiam uma passagem segura para sair com os reféns.

Porta-vozes dos militantes dizem que eles divulgaram uma lista de demandas. Uma declaração supostamente dos que mantêm o controle dos reféns pediram um fim à intervenção militar francesa no Mali. Além disso, afirmaram que os reféns serão mortos se soldados tentarem resgaté-los. "Invadir o complexo seria fácil para o Exército argelino, mas o resultado seria desastroso", advertiu.

O ministro do Interior argelino disse que os sequestradores são argelinos e operam sob as ordens de Mokhtar Belmokhtar, um graduado comandante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico desde o fim do ano passado, quando ele montou seu próprio grupo armado depois de aparentemente ter se indisposto com outros líderes.

Além dos dois mortos pelo ataque de quarta, seis outras pessoas ficaram feridos, incluindo dois britânicos, um norueguês, dois policiais e um agente de segurança, informou a agência de notícias estatal do país.

*Com BBC, AP e Reuters

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