Frente ao endurecimento das sanções dos EUA, Washington Post revela que assessor de Obama David Plouffe recebeu dinheiro de empresa que negocia com a República Islâmica

O banco britânico Standard Chartered é acusado de lavar dinheiro em um esquema com o governo iraniano que envolveu cerca de US$ 250 bilhões, entre os anos de 2001 a 2007.

EUA: Senado acusa HSBC de lavar dinheiro de traficantes mexicanos e do Irã

A acusação foi feita pelo Departamento de Serviços Financeiros do Estado de Nova York, que alega que o banco fez 60 mil transações secretas para “instituições financeiras iranianas” que eram alvo de sanções econômicas lançadas pelos Estados Unidos.

Banco é acusado de não acatar sanções contra o país governado por Mahmoud Ahmadinejad (19/6)
AP
Banco é acusado de não acatar sanções contra o país governado por Mahmoud Ahmadinejad (19/6)

A instituição governamental classificou o Standard Chartered, com sede no Reino Unido, de “instituição desonesta”, que deixou o sistema financeiro dos EUA “vulnerável aos terroristas”. O banco foi penalizado tendo sua licença para operar nos EUA suspensa.

As alegações são muito maiores do que as que envolvem o banco HSBC , que recentemente foi acusado pelo Senado dos EUA de lavar dinheiro de traficantes de drogas do México e também do Irã.

O banco recebeu ordem de se apresentar em breve para “explicar essas aparentes violações da lei”.

A instituição internacional disse estar agora revisando sua complacência com as sanções americanas, assim como a cooperação com agências federais. O Chartered Bank disse, no entanto, que não consegue dar uma estimativa sobre quando a revisão será concluída.

Assessor de Obama

Também nesta segunda-feira, o jornal americano Washington Post relevou que o assessor da Casa Branca e diretor de campanha do presidente americano, Barack Obama, em 2008, David Plouffe recebeu US$ 100 mil da filial de uma empresa que negocia com o governo do Irã por causa de duas conferências realizadas em 2010.

A filial da MTN Group, companhia de telecomunicações com sede na África do Sul, teria pagado US$ 100 mil a Plouffe por dois discursos realizados na Nigéria em dezembro de 2010, aproximadamente um mês antes do mesmo ingressar na Casa Branca.

Segundo o jornal, desde então a companhia passou a ser investigada por suas atividades com o Irã e Síria. O Washington Post aponta que não há restrições legais ou éticas para a filial de MTN ter feito esse pagamento a Plouffe como um cidadão privado.

No entanto, por se tratar de um próximo assessor, a situação "poderia ser problemática" para Obama, enquanto a Casa Branca endurece sua postura contra o Irã.

A posição da Casa Branca contra o regime iraniano foi criticada pelo candidato republicano Mitt Romney, que a considerou transigente demais.

Em comunicado, a Casa Branca, que recusou uma solicitação de entrevista do jornal, ressaltou que a relação da empresa com o governo iraniano não era um assunto conhecido naquele momento. "As críticas a Plouffe pelos assuntos e controvérsias que se desenvolveram somente anos mais tarde estão simplesmente equivocadas", assinalou.

O diário disse ainda que Plouffe não teve nenhum papel nas discussões do governo americano sobre as sanções que seriam impostas às companhias com atividades no Irã.

Executivos da companhia negaram ter violado as sanções impostas pelo governo americano e, segundo declarações de Paul Norma, um porta-voz da MTN Group, teriam convidado Plouffe por sua "experiência e seu conhecimento sobre o cenário da política americana."

*Com BBC, AP e EFE

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