Sarkozy poderá enfrentar inquéritos após deixar presidência

Pela lei da França, imunidade do presidente acaba um mês após entregar o poder, o que acontecerá na próxima semana

iG São Paulo |

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que perdeu a eleição para o socialista François Hollande e não conseguiu se reeleger, poderá enfrentar inquéritos sobre dois escândalos financeiros depois de deixar a presidência.

A imunidade presidencial da qual gozou durante cinco anos deixará de valer um mês após Sarkozy entregar o poder, o que deve acontecer na próxima terça-feira (15). O líder negou envolvimento em todos os casos, que já desencadearam investigações judiciais e envolveram alguns de seus amigos ricos.

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AP
Nicolas Sarkozy reconhece derrota para o socialista François Hollande nas eleições presidenciais (06/05)

A Constituição da França diz que um presidente não pode ser obrigado a testemunhar, ser investigado ou processado até um mês após deixar o cargo. O privilégio, portanto, acabará em meados de junho para Sarkozy, abrindo caminho para que ele seja convocado a explicar denúncias sobre uma venda de submarinos na década de 1990 para o Paquistão e suas relações com a mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt, herdeira do império de cosméticos L’Oreal.

O presidente do sindicato dos magistrados da França, Matthieu Bonduelle, disse que ainda não é possível dizer se há elementos suficientes para colocar Sarkozy sob investigação.

“Estes são casos enormes e só sabemos algumas informações sobre eles”, afirmou.

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No caso L’Oreal, investigadores querem saber se o dinheiro de suas contas em bancos suíços foi usado para financiar ilicitamente a campanha presidencial de Sarkozy em 2007.

Em outro caso, o chamado " Caso Karachi ", os juízes estão tentando desvendar uma série de negociações nebulosas por intermediários e possíveis propinas ligadas à venda de submarinos pelo governo francês para o Paquistão na década de 1990.

Sarkozy, que era ministro do Orçamento e porta-voz do candidato presidencial Edouard Balladur na época, rejeitou as especulações da imprensa de que ele poderia ter conhecimento dos pagamentos. Os juízes querem saber se eles foram utilizados na campanha de Balladur.

A mais recente dor de cabeça para o líder francês foi a divulgação de um documento que, segundo o site investigativo de notícias Mediapart, mostra que o líder deposto da Líbia Muamar Kadafi quis financiar a campanha de Sarkozy de 2007. O presidente disse que processará o Mediapart , chamando o documento de "obviamente falso".

Com Reuters

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