EUA priorizam deportação de imigrantes com antecedentes criminais

Operação realizada em todo o país prendeu 2.901 de imigrantes sem documentos, segundo informou a Agência de Imigração e Alfândega

iG São Paulo |

AP
John Morton, diretor da Agência de Imigração e Alfândega, deu as declarações em coletiva de imprensa
Cerca de um milhão de imigrantes ilegais com antecedentes criminais que estão nos Estados Unidos são prioridade para deportação do governo, informou nesta quarta-feira o diretor da Agência de Imigração e Alfândega (ICE), John Morton. "As estimativas variam, mas são aproximadamente um milhão com antecedentes criminais sujeitos à deportação", explicou em coletiva de imprensa.

De acordo com o diretor da ICE, há muito mais pessoas ilegais no país do que a capacidade de sua agência para a deportação. Morton aproveitou a ocasião para anunciar a maior operação da história dos EUA que resultou na prisão de 2.901 imigrantes sem documento que já haviam sido condenadas por crimes nos EUA. "Vocês verão um foco contínuo em violadores da lei por parte desta agência", afirmou Morton. "Esse não é o tipo de gente que queremos andando pelas ruas."

A operação, apelidada de Cross Check teve âmbito nacional e durou sete dias. As prisões foram realizadas em todos os 50 Estados norte-americanos e em quatro territórios do país.

Entre os presos estão cidadãos do México, República Dominicana, Panamá, Honduras e Nigéria, de acordo com autoridades. Todos os detidos já tinham sido condenados por crimes cometidos nos Estados Unidos e serão deportados, de acordo com as autoridades. Mais de 1.600 foram condenados por delitos graves, como assassinato, tentativa de assassinato e tráfico de drogas.

Entre os presos também estão membros de gangues e condenados por crimes sexuais. Pelo menos 1.282 dessas pessoas foram condenadas por mais de um crime.

O serviço informou que deporta cerca de 390 mil pessoas por ano, cerca de metade delas criminosos condenados. A imigração ilegal é um importante assunto político nos Estados Unidos. Mais de 11 milhões de imigrantes ilegais vivem e trabalham no país, segundo o Centro Hispânico Pew.

Morton explicou que no momento em que chegaram ao governo de Barack Obama, definiram uma agenda de prioridades para otimizar os limitados recursos disponíveis para a deportação. "Na nossa perspectiva, o melhor é começar com os criminosos", disse. "Também expulsamos pessoas sem antecedentes", reconheceu Morton, cujo governo bateu recordes nos últimos anos com uma média de 350.000 deportações por ano.

Contudo, o diretor do ICE negou que seus agentes realizam "prisões ao acaso". Organizações civis em defesa dos imigrantes acusam o ICE e outras agências americanas de prenderem imigrantes simplesmente porque dirigem sem licença, ou por faltas menores, como beber em público.

Ampliação de 'Green Cards'

O prefeito de Nova York, Michael Bloomber, advertiu nesta quarta que a política de vistos que impede os trabalhadores mais qualificados de permanecer nos EUA equivale a um "suicídio nacional".

Bloomberg, um enérgico defensor de uma reforma migratória no país, disse que as atuais restrições estão afetando os EUA, em uma batalha cada vez mais dura para atrais mão-de-obra mais qualificada. "Como resultado, os EUA já não são destino inevitável para empresas e para a inovação. Países da Ásia e da América Latina atraem agora com oportunidades. Por isso, os EUA simplesmente têm de competir por talentos como nunca antes", disse em um discurso.

Para o prefeito, as regras de vistos estão "sabotando" a economia do país. "Chamo isso de suicídio nacional. E realmente penso que se trata disso."

O eixo do problema é que, segundo Bloomberg, apesar de quase 1 milhão de novos residentes permanentes serem admitidos, apenas 15% deles obtêm um visto que responde às necessidades econômicas americanas, enquanto 85% restantes o consegue por razões familiares e pessoais.

"É por isso que acredito que devemos ampliar o número de 'Green Cards' - permissões de residência - para os melhores, trabalhadores muito qualificados que precisamos que se somem de forma permanente à economia americana", concluiu.

Com AFP e Reuters

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