Nova pesquisa de agência americana reforça relação entre zika e microcefalia

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Chefe do Centro de Controle de Doenças americanos alega que análise de dois casos brasileiros é a "evidência mais forte até agora" do efeito do zika vírus em bebês em gestação

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Pesquisa americana analisou mortes de dois bebês brasileiros
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Pesquisa americana analisou mortes de dois bebês brasileiros

Uma das maiores autoridades de saúde dos Estados Unidos afirmou ter sido encontrada a "evidência mais forte até agora" do efeito do zika vírus em bebês em gestação. Tom Frieden, chefe do CDC (sigla em inglês para Centro de Controle de Doenças), falava a políticos em Washington.

Por sua vez, a OMS (Organização Mundial da Saúde) ainda não confirma a ligação do zika vírus com a microcefalia.

Frieden disse que dados de casos de duas crianças do Brasil, que morreram logo após o nascimento, indicaram que o vírus passou das mães para os filhos. Porém, ele disse que a conexão suspeita ainda não foi definida.

Atualmente, o Ministério da Saúde investiga 3.670 casos suspeitos de microcefalia – quando a criança nasce com um cérebro de tamanho menor que o normal. Cerca de 400 foram confirmados e 700, descartados.

Frieden disse que pesquisas intensivas estão sendo realizadas para descobrir mais sobre o vírus e desenvolver uma vacina contra ele – embora ela possa virar realidade apenas daqui a muitos anos.

"Nós provavelmente veremos números significantes de casos de zika em Porto Rico e outros territórios americanos", afirmou Frieden.

Ele afirmou que o CDC garantirá recursos para os Estados americanos combaterem o mosquito transmissor.

Também nesta quarta-feira (10), a OMS, que classificou a epidemia de zika como uma "emergência global de saúde pública", elaborou orientações para que as mulheres se protejam contra o vírus.

OMS ainda não confirma ligação direta entre zika vírus e microcefalia
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OMS ainda não confirma ligação direta entre zika vírus e microcefalia

Métodos contraceptivos

O organismo afirmou que até que se saiba melhor se o contato sexual pode transmitir o vírus, "todos os homens e mulheres que vivem ou retornaram de uma área onde o zika está presente – especialmente mulheres grávidas e seus parceiros – devem receber orientação dos riscos potenciais de transmissão sexual e adotar práticas sexuais seguras".

"Isso inclui o uso correto e consistente de camisinhas, um dos mais efetivos métodos de proteção contra todas as infecções transmitidas sexualmente", afirmou a OMS.

O uso de métodos contraceptivos é uma assunto polêmico na América Latina devido ao posicionamento contrário da Igreja Católica.

Uma organização liberal católica – Católicos por Opção – pediu ao papa Francisco para deixar claro que as mulheres da América Latina devem ser capazes de seguir sua consciência sobre métodos contraceptivos e aborto. O pontífice deve visitar o México nesta semana.

A OMS disse que não recomendou restrições a viagens para as áreas afetadas, mas alertou que mulheres grávidas ou que pretendem engravidar procurem orientação médica antes de viajar para áreas onde o zika está presente.

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