Consideradas apenas as escolas paulistas em que mais de 75% dos alunos prestaram a prova, o Sistema S é destaque negativo

As escolas de ensino médio do Sesi têm quatro das cinco piores médias de instituições particulares do Estado de São Paulo no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) . As unidades de Cubatão, Sertãozinho, Marília e Araras aparecem no final da lista de 676 escolas paulistas particulares com mais de 10 alunos no último ano e que tiveram pelo menos 75% de participação na prova do ano passado.

Das 41 escolas do Sesi de São Paulo que estão acima dos 75% de participação, o melhor resultado é o de Sumaré, que aparece em 179º lugar entre as particulares e atrás de 18 públicas. Duas unidades não tiveram conceito por ter menos de 10 alunos no 3º ano do ensino médio.

Gratuitas, instaladas em complexos com estrutura de clube e com ensino médio articulado a cursos técnicos, as escolas do Sesi costumam ter fila de espera. No entanto, desde 2009, quando o Sistema S começou a pagar a inscrição de alunos de algumas unidades no Enem para ter uma ferramenta de avaliação, o resultado não é bom.

“Na primeira vez, ficamos a frente das públicas, mas atrás das particulares da cidade”, comenta Ana Paula Rodrigues de Oliveira, diretora do Sesi Sertãozinho. Desta vez, mesmo quando os dados são vistos por Estado, a unidade ficou em antepenúltimo lugar entre as particulares, a frente apenas do Colégio Bom Samaritano e da unidade Sesi de Cubatão.

Sesi de Cubatão, infraestrutura de clube chamam atenção nas escolas
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Sesi de Cubatão, infraestrutura de clube chamam atenção nas escolas

Para ela, uma das explicações possíveis é a falta de interesse dos alunos por usar a nota para ingresso no curso superior. “A maior parte dos nossos alunos vai direto para o mercado de trabalho”, diz. Outra seria o cansaço. “Todos eles fazem Senai de manhã e chegam aqui à tarde.”

O diretor da divisão Educacional do Sesi, Fernando Antonio Carvalho Souza, diz que os dados surpreendem e podem ser decorrentes de uma política educacional “ainda em formação” já que o ensino médio começou no Sesi em 2007. “Muitos pais pediam que houvesse continuidade depois do fundamental, por isso decidimos criar esta modalidade de forma articulada com o Senai.”

Souza elogia a divisão indicada pelo Ministério da Educação (MEC) de comparar apenas escolas com percentuais de alunos participando do Enem parecidos. “Parece mais apropriado”, diz. Porém, acha que o resultado “não reflete a média dos alunos do Sesi”.

“Nós entendemos que avaliação é importante, por isso financiamos a participação dos alunos. Agora vamos analisar estes dados com a rede”, afirma.

Sistema S será parceiro no Pronatec
O Sistema S – gestor de Sesi, Sesc, Senai e Senac - é o maior parceiro particular do governo federal para o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec) , uma das principais bandeiras do governo Dilma. As instituições já recebem financiamento público e complemento da Federação da Indústria e do Comércio.

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