Claudia Ohana e Vanessa Giácomo voltam à década de 1970 em filme com jeitão mexicano

Muito se falou da referência de "A Novela das 8" a "Dancin' Days", fenômeno em 1978, mas o longa de estreia de Odilon Rocha, que estreia nesta sexta-feira (30) em São Paulo e Rio de Janeiro, cita o folhetim da rede Globo de forma discreta – o máximo é caracterização de época, uma música aqui, outra ali, e, claro, a moda disco. A ideia do filme, premiado como melhor roteiro no Festival do Rio, é, isso sim, homenagear o gênero novela como um todo.

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De boas intenções o projeto está cheio, a começar por uma certa inventividade do roteiro, que casa a pluralidade das tramas do horário nobre com, veja só, ligeiras citações metalinguísticas.

Dora (Claudia Ohana) é a empregada de Amanda (Vanessa Giácomo), garota de programa perua que recebe os clientes em casa. Um deles morre em situação suspeita e as duas resolvem fugir de São Paulo para o Rio de Janeiro. Ali se envolvem com militantes contra a ditadura militar, fogem de um policial do Dops (o sempre vilão Alexandre Nero) e procuram o filho de Dora, o adolescente Caio (Paulo Lontra), que explora sua homossexualidade com o diplomata João Paulo ( Mateus Solano ).

É claramente um melodrama reciclado do lugar comum da dramaturgia de TV, evidenciado por diálogos-chavão, superficialidade e um exagero comum ao gênero. A citação às novelas é constante, tanto pelo fascínio dos personagens por "Dancin' Days" quanto pelos insistentes parelelos com a "realidade" da história. "A vida parece uma novela", garante Amanda, deslumbrada.

Exclusivo: Claudia Ohana fala nos bastidores de "A Novela das 8"; assista ao vídeo

Esse tributo autoconsciente, porém, tem um sério problema de tom. Reproduzir situações assim inevitalmente prevê o risco de se criar um pastiche, o que acontece. Ao invés de um retrato carinhoso ao gênero, o que sobra desse apanhado colorido é um típico folhetim mexicano, piorado por uma estética da escola SBT de televisão. Qualquer sofisticação no roteiro não resiste a uma estrutura frágil como essa.

Lembrar os primeiros filmes de Pedro Almodóvar seria elogiar demais "A Novela das 8". Não se trata de gostar ou não de novela, mas de reconhecer que a ideia ficou pelo meio do caminho. Nas mãos de alguém com experiência, talvez o texto tivesse melhor sorte

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