Estudantes fazem ato contra expulsão de alunos da USP

Seis alunos foram expulsos depois de participarem da ocupação do Coseas em 2010; eles querem recorrer na Justiça

Fernanda Simas, iG São Paulo |

AE
Alunos protestam contra expulsão na USP
Alunos da USP fizeram nesta segunda-feira um ato contra a expulsão de seis estudantes em frente à reitoria da universidade. Às 16h, os estudantes fecharam o cruzamento entre a rua Alvarenga e a avenida Afrânio Peixoto, em frente ao Portão 1 da universidade.

No sábado, um despacho do reitor João Grandino Rodas foi publicado no “Diário Oficial do Estado” para comunicar as expulsões dos alunos . Segundo o despacho, os estudantes expulsos participaram da ocupação da Coordenação de Assistência Social (Coseas) da USP em março do ano passado. A ocupação foi um protesto em defesa do aumento do número de vagas na moradia da universidade, o Crusp.

O ato reuniu cerca de 60 pessoas. Com faixas contrárias às expulsões e pedidos de “Fora Rodas”, os estudantes protestavam contra o que chamam de “perseguição política”. Os alunos afirmaram que estão se reunindo com advogados para entrar na Justiça comum contra a universidade.

Rodas alega que um processo disciplinar interno comprovou a participação de Aline Dias Camoles e Bruno Belém, alunos da Escola de Comunicação e Artes (ECA), Amanda Freire de Souza, Jéssica de Abreu Trinca, Marcus Padraic Dunne e Yves de Carvalho Souzedo, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), em atos que desrespeitam o Código de Ética da universidade. A reitoria alega que prontuários e objetos do Coseas desapareceram.

As expulsões estão baseadas no Regimento Interno da USP, criado em 1972, no auge da ditadura militar, em vigência até hoje.

iG São Paulo
Guardas universitários ficaram em frente ao prédio da reitoria
Aline Dias Camoles, uma das alunas expulsas, afirmou que tentou pegar uma cópia do processo na reitoria mas foi impedida. A guarda universitária localizava-se na porta da reitoria.

“Estamos sendo processados por perturbar os trabalhos escolares. Trata-se de um processo de perseguição política”, disse. Segundo Aline e a assessoria de imprensa da reitoria, nenhum processo jurídico, além do administrativo, foi aberto contra os alunos.

A reitoria informou que 4 mil prontuários do Coseas foram extraviados durante a ocupação, como prontuários de apoio emergencial, bolsa de apoio ao programa de permanência, seleção de moradia, seleção de creche. Além disso, ainda de acordo com a reitoria, outros 300 documentos de trabalho e 17 computadores completos foram extraviados.

Duas impressoras, nove aparelhos eletrodomésticos, 13 aparelhos telefônicos, 20 talões de ticket refeição e 12 toneladas de alimento também teriam sido furtados.

Amanda Souza, outra aluna expulsa, afirmou que quanto mais eles reivindicam mais são reprimidos. “A polícia está aqui para bater nos pobres que estão reivindicando. A PM está aqui como segurança particular de burguês”, disse.

Ela contou que no dia 24 de outubro teve um filho e no dia 26 recebeu o comunicado informando que deveria deixar o Crusp. "Não vamos aceitar essas expulsões", disse pouco antes de pegar o filho para amamentá-lo.

iG São Paulo
Alunos se reúnem em frente à reitoria da USP

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