Com caixão gay e cortejo em limusine, feira funerária tenta suavizar morte

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Maior encontro da América Latina reúne empresários do ramo com opções curiosas e novidades para o fim da vida

A morte nem sempre é encarada apenas como o fim da vida. Para os mais ousados, nada mais justo do que investir em um ritual de passagem com caixões personalizados e um cortejo vip em uma limusine. São Paulo é vista pelos empresários funerários como uma das cidades mais “caretas” do País, onde o tradicional e o minimalismo imperam quando o assunto é morte. Já em outras regiões, vale “caixão gay”, cortejo balada e até pingente com as cinzas do ente querido.

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Conheça o caixão gay:

Os produtos - que vão desde o cerimonial aos bastidores de um velório - foram apresentados durante a Funexpo 2013, a maior feira funerária da América Latina, na zona norte de São Paulo. Apesar de hospedar a feira a cada dois anos, São Paulo é considerada pelos especialistas como uma das cidades mais fechadas para as novidades do ramo. “Em outros lugares a morte é um momento planejado. As pessoas escolhem o tipo de “celebração” que querem ter. A capital é mais careta”, disse Eduardo Natele, funcionário do PickUp&Cia, empresa responsável pelos carros usados em cortejos balada, com efeitos de luz e potentes auto-falantes.

Entre os itens que chamam mais a atenção nesta edição da feira está a urna funerária LGBT, o caixão gay de R$ 6 mil, que foi produzida pelo casal Ricardo Jacomo, de 35, e Roberta Jacomo, de 31. O stand da empresa Soft Line virou ponto de fotos e despertou a curiosidade. “A morte pode ser mais democrática, não precisa ser chata e tradicional. Eu mesmo seria um morto bem chateado se fosse enterrado em uma urna sem graça”, disse Ricardo. A ideia partiu do cabeleireiro de Roberta, que sugeriu o design e ficou surpreso com o resultado final. “Ele vai querer ficar com esse, com certeza”, acredita Roberta.

Roberta Jacomo, de 35 anos, uma das proprietárias da Soft Line, com a sua urna preferida. "É um conforto eterno". Foto: Carolina Garcia/iG São PauloEmpresa apostou no lançamento do caixão gay e o de oncinhas "para as madames". Foto: Carolina Garcia/iG São PauloCasal é novo no ramo funerário, mas acredita que a morte não deve ser "chata e formal". Foto: Carolina Garcia/iG São PauloCortejos também são realizados em carros abertos. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloLimunise de R$ 360 mil reais oferece cortejo vip aos clientes, com telas LCDs e luzes especiais. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloDo assento de passageiros, familiares acompanham o ente querido durante todo o trajeto. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloAs TVs servem para reproduzir as memórias do falecido, como uma banda favorita ou hobby. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloO tema da feira causou certo desconforto entre as modelos Michele Miranda, de 29, e Débora Moura, de 27. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloÚltima moda são as urnas ecológicas que podem ser lançadas ao mar sem prejudicar a natureza. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloDetalhe de uma urna ecológica, que leva uma oração personalizada ao lado. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloUrnas em forma de pingente para levar "parte do familiar" para qualquer lugar. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloEmpresa de indianos, a LoveUrns aposta em formatos originais para as urnas crematórias . Foto: Carolina Garcia/iG São PauloNaseem Khan, presidente da LoveUrns, posa ao lado de suas favoritas os modelos "pássaros" e "coração", que custam em média R$ 800 . Foto: Carolina Garcia/iG São PauloDiversos expositores apresentam todos os produtos necessários para um velório. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloProdutos para a necromaquiagem e preparação do corpo para o velório. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloArtigos para maquiagens são vendidos para as funerárias . Foto: Carolina Garcia/iG São PauloCarro com som potencializado pode ser usado em cortejo balada, prática comum no Nordeste. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloTodos os artigos necessários para o cerimonial de um velório podem ser encontrados na feira. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloUmas das urnas mais caras da feira é o imponente caixão modelo faraó. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloUrnas infantis tradicionais . Foto: Carolina Garcia/iG São PauloAlguns modelos de urnas levam imagens de santos e times e podem ser encontradas em diferentes cores. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloUrnas para os bichos de estimação recebem cristais, cobertores e decoração. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloFunexpo 2013 - a maior feira funerária da américa latina. Foto: Carolina Garcia/iG São PauloPequenas urnas servem para dividir as cinzas do ente querido entre familiares. Foto: Carolina Garcia/iG São Paulo

A nova aposta das funerárias brasileiras, segundo os expositores, é dar ao cortejo um toque de estilo e luxo. Entre eles, a limusine Chrysler Town & Country avaliada em R$ 360 mil. Responsável pela adaptação do veículo, Kennedy conta que a transformação para um carro funerário leva ao menos seis meses. “É a aposta das funerárias mais modernas. Investir que o cortejo não seja tão pesado e possa ser acompanhado pela família dentro do carro”. Com capacidade para quatro familiares e o motorista, a limusine tem três telas LCDs e iluminação apropriadas como “azul do céu” e “luz eterna”.

Conheça a limusine Chrysler Town & Country e o cortejo vip:

Para os que desejam manter o ente querido sempre por perto, a melhor opção são as urnas crematórias. A luxuosa de bronze maciço com 8 kg pode custar ao menos R$ 2 mil. Uma que chama a atenção são as familiares, que podem ter as cinzas divididas entre vários membros da família. “Assim todo mundo fica com um pedacinho do amado que partiu”, defende a vendedora Vera. Outra opção mais íntima são os pingentes com compartimentos para as cinzas. Com formatos discretos entre pérolas e brilhantes, os enfeites podem custar até R$ 400.

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