Organizado pelo Movimento Passe Livre, ato seguiu por três caminhos distintos: Paulista, Faria Lima e Marginal Pinheiros; foi a maior manifestação desde o início dos protestos

O protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo, marcado para as 17h desta segunda-feira (17) no Largo da Batata, em Pinheiros, seguiu por três caminhos distintos e fechou três das principais vias da capital paulista. Um grupo foi para a avenida Paulista, outro para a Marginal Pinheiros e um terceiro desceu a avenida Faria Lima em direção à Ponte Estaiada. Todo o trajeto foi feito de forma pacífica e com apoio da PM, uma cena distinta da praça de guerra que se viu na semana passada

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Logo após o movimento deixar a região do Largo da Batata, o MPL e o major Paulo Wilhelm de Carvalho, da Polícia Militar de São Paulo, calcularam que mais de 60 mil pessoas participavam do protesto. A assessoria de imprensa da PM, no entanto, estimou em 30 mil os manifestantes. Como se esperava, foi a maior manifestação desde o início da onda de protestos pela redução da tarifa de ônibus, no dia 6.


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A polícia acompanhou as marchas nos três pontos da cidade, que ocorreu pacificamente. Por volta das 20h, na av. Luís Carlos Berrini, no Brooklin, próximo à Ponte Estaiada, o grupo sentou na via e pediu que o responsável pelo policiamento fizesse o mesmo. Quando o major sentou, foi aplaudido pelos manifestantes . "A ação da policia na quinta-feira catalizou a manifestação", diz o pesquisador Carlos Torres Freire, de 35 anos, que tinha ficado longe das ruas nas outras manifestação. "Vim hoje pura e simplesmente pelo direito de protestar", diz ele.

O advogado Ruy Ferreira, de 28 anos, disse que hoje a atitude da PM está diferente. "O governo não ia querer outra guerra daqueles pra sujar mais a imagem do País lá fora (...)Com certeza a próxima manifestação vai trazer mais gente pra rua", afirma. A estudante de Letras Jéssica Vascos, de 21 anos, se dizia emocionada. "Vim de Guarulhos e até agora não teve confusão. Está bacana. Acompanhei tudo na internet. Eu acho que a tarifa não vai baixar mas vai ter alguma melhoria".

Ato na Paulista

O primeiro grupo de manifestantes chegou a avenida Paulista por volta das 18h30. Duas horas depois o local, totalmente livre de carros, parecia uma grande área de lazer com as pessoas andando de um lado para o outro sem saber ao certo o que fazer. O núcleo da manifestação já tinha atravessado toda a avenida e também estava sem rumo. Não havia policiamento no local.

Enquanto um grupo defendia partir na direção da 23 de Maio outro, maior, queria voltar para a Rebouças, o que acabou prevalecendo.

Quando chegaram ao vão livre do Masp, havia uma multidão. Segundo participantes do protesto, boatos sobre a presença da Tropa de Choque na Paulista levaram a uma das divisões da marcha. “Quando ainda estávamos na Faria Lima disseram que o Choque estava no Masp. Um grupo decidiu evitar o confronto e foi para a Marginal Pinheiros. Outro seguiu em frente e nós viemos para a Paulista para enfrentar o Choque mas eles não estavam aqui”, disse uma estudante que se identificou apenas como Daniela.

Entrada da estação da Consolação do Metrô danificada
iG São Paulo
Entrada da estação da Consolação do Metrô danificada

Antes da marcha, integrantes do MPL distribuiram folhetos com instruções de segurança no caso de prisões por parte da PM ou da Polícia Civil. O informe relacionava os telefones para ligar no caso de detenção, recomendava não assinar nada sem a presença de um advogado, filmar o ato, gravar o nome dos policiais, ficar em silêncio na falta de um advogado e não discutir com os policiais. Informava ainda celulares de advogados voluntários que podiam colaborar.

A região se encheu no fim da noite, mas sem um ser uma manifestação organizada. Um início de confusão aconteceu na estação Consolação do Metrô. Os guardas da companhia fecharam uma das entradas porque alegaram que tinha muita gente na estação. Algumas pessoas quebraram um vidro da estação e a picharam. 

Palácio dos Bandeirantes

Manifestantes forçam o portão do Palácio dos Bandeirantes, no fim da noite desta segunda-feira, em São Paulo
Vitor Sorano/iG
Manifestantes forçam o portão do Palácio dos Bandeirantes, no fim da noite desta segunda-feira, em São Paulo

Após sair do ponte Estaiada, parte dos manifestantes marchou em direção ao Palácio dos Bandeirantes. Logo na chegada, um grupo tentou forçar o portão de entrada e a Polícia Militar reagiu lançando uma bomba de gás lacrimogêneo. Parte dos manifestantes se manteve disposta a entrar na sede do governo. "O palácio é nosso, vamos entrar lá", gritavam. Ao menos 20 policiais formaram uma fila atrás de cada um dos dois portões do Palácio dos Bandeirantes.

Cerca de uma hora depois, uma nova tentativa de invasão do Palácio dos Bandeirantes deixou ilhados inúmeros funcionários que trabalham na sede do governo do governo paulista, no Morumbi. Os manifestantes jogaram bombas dentro do palácio e quebraram um dos portões na tentativa de invadir o local, eles foram impedidos pela Polícia Militar que faz a guarda do Palácio. 

Protestos pelo País

O dia foi marcado por protestos em pelo menos nove capitais e no Distrito Federal . Em Brasília, mais de 5 mil pessoas, na sua maioria estudantes, deram início nesta segunda-feira por volta das 17h a partir do Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios, a um protesto convocado nas redes sociais. O grupo seguiu para a frente do Congresso Nacional e a polícia perdeu o controle pouco depois das 19h, quando eles conseguiram subir no teto do Senado. Foi um corre-corre, mas o protesto se manteve pacífico e, em seguida, o acesso foi liberado.

No Rio de Janeiro, pelo menos 40 mil pessoas participaram da manifestação na avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro do Rio, segundo a PM.

Em Belo Horizonte, milhares de pessoas aproveitaram o jogo da Copa das Confederações entre Taiti e Nigéria, iniciado às 16h, na Arena Mineirão, para criticar a política brasileira, a corrupção, os gastos públicos com as obras para as Copas das Confederações e do Mundo, em 2014, além de protestar contra o preço do transporte público e a violência registrada em São Paulo, na semana passada. Segundo líderes do movimento, 18 mil pessoas participam da caminhada. A Polícia Militar (PM) estima que sejam 10 mil participantes.

Com informações de Ricardo Galhardo, Vitor Sorano, Susan Souza, Renan Truffi, iG São Paulo

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