Polícia alegou que manifestantes descumpriram acordo ao entrarem na rua da Consolação, mas negociação mostra coronel pedindo que manifestantes ficassem na avenida

Policiais atiram contra manifestantes nesta quinta-feira, em São Paulo
Gabriela Bilo/Futura Press
Policiais atiram contra manifestantes nesta quinta-feira, em São Paulo

Uma cena presenciada pelo iG contraria a versão da Polícia Militar sobre o motivo dos ataques a manifestantes na quinta-feira. Segundo o coronel Reinaldo Rossi, um dos responsáveis pela operação, os manifestantes teriam descumprido um acordo ao entrarem na rua da Consolação . “Em razão da ausência de lideranças começaram a atirar objetos nos policiais”, disse o coronel.

No entanto, o iG presenciou uma negociação entre líderes do protesto e o coronel Bem Hur Junqueira Neto, outro dos responsáveis pela operação. Na conversa, ocorrida na esquina das Consolação e Caio Prado, o coronel e um dos líderes da manifestação fecham um acordo no qual o protesto continuaria parado naquele local até que outro dos líderes chegasse e as duas partes definissem os próximos passos da marcha.

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“Traz ele aqui (o outro líder) para a gente conversar. Assim que ele chegar a gente volta a conversar aqui”, garantiu o coronel. O manifestante concordou e o coronel chegou a elogiar o andamento da manifestação até ali. “Desta vez está pacífica”, afirmou o militar. Veja o vídeo abaixo:

No entanto, segundos depois, quando o coronel ainda se afastava do local da negociação, um contingente surgiu da rua Maria Antônia e sem aviso prévio começou a disparar balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

A ação policial transformou a região central em uma praça de guerra. Pessoas que nada tinham com o protesto sofreram com as explosões e com os efeitos do gás lacrimogêneo. Os conflitos se espalharam pelos bairros dos Jardins e Higienópolis e aumentaram o clima de animosidade entre manifestantes e polícia.


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