Marcelo Arigony, responsável pelo inquérito, alegou "possibilidade de adulteração de provas e intimidação de testemunhas"; incêndio na Kiss deixou 235 mortos no último domingo (27)

O delegado Marcelo Arigony, responsável pela investigação do incêndio na boate Kiss, confirmou ao iG , nesta quarta-feira, que encaminhou à Justiça um pedido de prorrogação da prisão temporária dos sócios da casa noturna e músicos da banda Gurizada Fandangueira. A tragédia deixou 235 mortos e centenas de feridos , na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

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Em seu pedido, Arigony alegou ser necessária a continuidade da prisão temporária - de cinco dias, prorrogável por mais cinco - após "possibilidade de adulteração de provas e intimidação de testemunhas", já que os  donos do estabelecimento são chefes dos músicos e funcionários da Kiss. No entanto, após conversas reservadas com agentes da Polícia Civil, eles consideram difícil que a Justiça mantenha os suspeitos presos em caso de um pedido de habeas corpus.

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Na segunda-feira (28), o Ministério Público manifestou suspeitas de que houve adulteração de provas que comprovariam supostas irregularidades na boate Kiss. De acordo a Procuradoria, os proprietários da boate não forneceram imagens das câmeras internas de segurança aos órgãos de investigação e tampouco repassaram os registros do caixa registradora, que poderia comprovar o número de pessoas que entraram no local durante a noite.

Bens bloqueados na Justiça

A Justiça já bloqueou os bens dos proprietários do local. O pedido, feito pela Defensoria Pública do Estado, foi deferido na noite de segunda-feira (28), pelo juiz de plantão do fórum de Santa Maria, Afif Simões Neto.  De acordo com o defensor Público-Geral do Estado, Nilton Arnecke Maria, o pedido foi feito para garantir a futura indenização "de modo coletivo e igualitário" aos familiares das vítimas da tragédia. A Instituição ressaltou que a ação não discutia a responsabilidade civil dos réus.


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