Panamá se inspira no Rio e cria primeira UPP no exterior
Autoridades caribenhas conheceram o modelo carioca e o adaptaram à realidade do país. Unidade foi inaugurada no Dia Internacional dos Direitos Humanos
A uma semana de o processo de pacificação completar quatro anos em mais de 60 comunidades no Rio, a cidade exportou para o Panamá um dos seus projetos mais bem-sucedidos no combate à violência. Na estreia de uma adesão internacional ao modelo, foi inaugurada ontem a primeira a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em comunidade do país caribenho, com 180 policiais e os mesmos moldes das UPPs cariocas.
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O projeto é fruto de convênio firmado entre o governo do Panamá e a Polícia Militar do Rio de Janeiro, para prevenir e combater o crime, e que deve gerar, em breve, a inauguração de outras bases nas periferias panamenhas. A ideia de copiar o modelo brasileiro começou em julho, quando autoridades do Panamá vieram ao Rio.
“Eles conheceram nossa política de pacificação, foram a diversas comunidades que já têm ocupação permanente e participaram de palestras. O resultado foi tão positivo que levaram para lá o nosso modelo e nos pediram ajuda para adaptá-lo à realidade deles”, comemorou o coordenador das UPPs cariocas, coronel Rogério Seabra, que participou da inauguração do primeiro posto de Unidad Preventiva Comunitaria (UPC), na cidade de Curundu.
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De acordo com autoridades de Segurança panamenhas, a inauguração da base foi o início de um plano ambicioso que pretende se estender a diversas regiões do país onde há favelas,com enfoque na prevenção dos crimes e na aproximação com os moradores.
“A unidade foi inaugurada no Dia Internacional dos Direitos Humanos. Fiquei feliz por eles terem entendido o projeto e iniciarem com algo que é fundamental para o processo, que é o trabalho social. A população já começou a entender que tudo isso será um grande benefício para sua vida”, disse Seabra.
Treinamento para importar o modelo
Para trabalhar na UPC, os agentes panamenhos passaram por um rigoroso treinamento ministrado por dois oficiais brasileiros que conhecem bem o trabalho nas unidades. O major Eliézer Farias, coordenador de ensino e pesquisa, e a tenente Tatiana Lima, subcomandante da UPP Mangueira, foram os responsáveis pela instrução da primeira turma de policiais da UPC.
Eles tiveram aulas de técnicas de abordagem, polícia de proximidade e mediação de conflitos. Antes de receber a UPC, a comunidade do Curundu era ocupada pela Unidade de Controle de Multidões, similar ao Batalhão de Choque da PM do Rio.