Corpo de idosa morta após ter café com leite injetado na veia é enterrado no Rio

A estagiária que cometeu o erro fatal tem 23 anos e atuava no posto de saúde havia 1 mês

O Dia * |

Alessandro Costa / Agência O Dia
Cerca de 100 pessoas estiveram no enterro de Palmerina Pires Ribeiro e pediram justiça

Foi enterrado na manhã desta terça-feira (16) o corpo da idosa Palmerina Pires Ribeiro, de 80 anos, no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Mais de 100 pessoas estiveram no sepultamento entre amigos e parentes. O clima era de tristeza e muita revolta. Palmerina morreu após uma estagiária de enfermagem ter aplicado uma mistura de leite com café em sua veia , no Posto de Atendimento Médico (PAM) da cidade.

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Luiz Ackermann / Agência O Dia
Idosa morreu após ter café com leite injetado

Emocionada, Ilma Ribeiro, de 52 anos, disse que previu a morte de sua mãe. "Na madrugada de sábado para domingo, sonhei que arrancavam um dente meu e minha boca sangrava muito. Esse sonho virou pesadelo que se concretizou: era a morte da minha mãe", revelou. Horas depois de ter o sonho, ela foi avisada do falecimento.

Ilma disse que não é o primeiro caso de morte por erro médico na família. "Perdi um filho de dez meses há 35 anos. Ele estava com caxumba e o levei a uma clínica conveniada das Sendas em São João de Meriti. O médico diagnosticou como pneumonia aguda e aplicou uma dose alta de novalgina. Minutos depois, quando estava com ele em meus braços dentro do ônibus, ele passou mal e ficou com a pele toda enrugada. Corri para outro posto de saúde, onde ele morreu", disse.

Deputado é expulso do enterro

O deputado estadual Iranildo Campos, do PSD, compareceu ao sepultamento de Palmerina e foi expulso por familiares da vítima. Revoltados, parentes discutiram gritavam com Iranildo. "O deputado não é bem-vindo no enterro da minha avó. Nunca fez nada por nós e está aqui para fazer política", desabafou Gilberto Ribeiro, de 38 anos, neto da idosa.

Iranildo Campos esteve à frente da Secretaria Municipal de Saúde de São João de Meriti nos anos de 2001, 2002, 2009 e 2010. Constrangido, o deputado deixou o enterro e a multidão aplaudiu sua saída. "Ele deveria respeitar o momento da família. Veio de penetra", disse Marcos Ribeiro da Silva, um dos netos de Palmerina.

Antes de deixar o local, Iranildo falou sobre o caso. "É inaceitável o procedimento que culminou na morte da Palmerina. A prefeitura deveria exonear todos os envolvidos. A estagiária deveria aprender e não lidar com a vida das pessoas", falou.

Alessandro Costa / Agência O Dia
Palmerina morreu após uma estagiária de enfermagem ter aplicado uma mistura de leite com café em sua veia

Parentes contestam certidão de óbito

Os familiares de Palmerina mostraram indignação com as informações que constam na certidão de óbito da idosa. De acordo com o laudo, a causa da morte seria infecção urinária e pulmonar, além de outra doença não revelada. Ele afirmam que a morte foi causada pela injeção de café com leite na corrente sanguinea da idosa.

A Prefeitura de São João de Meriti informou na segunda-feira (15) que abriu sindicância administrativa para esclarecer a morte da idosa. Familiares da vítima acusam uma estagiária de aplicar, por engano, café com leite na veia de Palmerina, o que resultou na sua morte. O caso ocorreu no último domingo.

Alessandro Costa / Agência O Dia
Clima era de tristeza e muita revolta no enterro da idosa Palmerina Pires Ribeiro, de 80 anos

De acordo com a nota enviada pela prefeitura, tanto a estagiária técnica de enfermagem, como as enfermeiras supervisoras de estágio e de plantão na unidade de saúde foram afastadas de suas funções. A prefeitura encerra o comunicado informando ainda que os responsáveis pelo erro serão punidos exemplarmente e deverão também responder a inquérito aberto na 64ª DP (Vilar dos Teles).

Estagiária há um mês no PAM

De acordo com Alexandre Ziehe, delegado titular da 64ª DP de São João de Meriti, a estagiária que cometeu o erro fatal de aplicar café com leite na veia de Palmerina tem 23 anos e atuava no PAM havia apenas um mês.

O delegado não quis revelar o nome da estudante, que ainda vai prestar depoimento esta semana. Caso seja condenada pela acusação de homicídio culposo, a punição é de um a três anos de detenção, podendo ser substituída por pena alternativa de prestação de serviços.

O inquérito deverá ser concluído em 30 dias. A família de Palmerina promete denunciar o erro à Assembleia Estadual do Rio e à Secretaria Estadual de Saúde. Eles querem punição a todos os responsáveis.

* as informações são do repórter Diego Valdevino

Alessandro Costa / Agência O Dia
A família de Palmerina promete denunciar o erro à Alerj e à Secretaria Estadual de Saúde


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