Índios invadem diretório do PT em Curitiba em protesto contra ministra

Por Agência Estado |

compartilhe

Tamanho do texto

Grupo faz manifestação contra a postura da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman (PT), em relação à demarcação de terras indígenas. Gleisi foi eleita senadora pelo Paraná

Agência Estado

Henry Milléo/Gazeta do Povo/Futura Press
No local, grupo colocou faixa com frase que explica descontentamento: "Gleisi discursa favorável ao agronegócio e contra os povos indígenas"

Um grupo de aproximadamente 30 índios da tribo caingangue ocupa desde a manhã desta segunda-feira (3) o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná. A sede, que fica na capital Curitiba, foi invadida pelos indígenas por volta das 8h. Eles viajaram durante a madrugada do município de Mangueirinha, no sudoeste do Estado, até a capital. Os índios protestam contra a postura da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman (PT), em relação à demarcação de terras indígenas. Gleisi foi eleita senadora pelo Paraná.

Dilma tenta adiar desapropriações de terras sob disputa de índios e ruralistas no País

O diretório paranaense do PT emitiu uma nota dizendo que "articulou junto ao Ministério da Justiça e à Casa Civil a realização de uma audiência para que o grupo apresente suas reivindicações ao governo federal". Segundo o comunicado, para que a reunião aconteça, basta apenas que os índios aceitem a proposta. As atividades na sede do partido foram suspensas nesta segunda.

Conflito em fazendas

A presidente Dilma Rousseff orientou seus auxiliares a agirem rápido uma operação de "pacificação" nas regiões de conflitos entre indígenas e produtores rurais em Mato Grosso do Sul. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, vão articular acordos para suspender, temporariamente, ações de reintegração de posse em áreas conflagradas.

Investigação: Corpo de índio morto durante desocupação passará por nova autópsia

Nova invasão: Índios ocupam mais uma fazenda no Mato Grosso do Sul

Belo Monte: PF diz não ter recebido pedido de apoio para tirar índios de obra

Escalados pela presidente, Cardozo e Adams vão procurar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério Público para e analisar em conjunto os inúmeros litígios de terras indígenas que existem no País, assim como pedir que as ações de reintegração de posse sejam feitas com um pouco mais de tempo, a fim de que possam ser devidamente planejadas.

O governo está convencido de que a rapidez na ação de desocupação nas fazendas Cambará e Buriti, em Sidrolândia (MS), foi fatal e teme que o fato possa se repetir. Um índio terena, Oziel Gabriel, de 35 anos, morreu na ação na quinta-feira (30). Dilma disse aos ministros estar "chocada" com a morte.

Gleisi recorre a bispos

Gleisi Hoffmann vai se reunir com o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Raimundo Damasceno, para pedir ajuda da Igreja para tentar acalmar os ânimos dos índios. A ministra vai pedir ajuda na interlocução com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) - ambos com atuação forte junto aos indígenas. A avaliação do Planalto é que se os indígenas forem incitados a reagir e ocupar terras o conflito se agravará e há riscos de que novas mortes ocorram.

A ministra pedirá auxílio à CNBB para iniciar um diálogo com pequenos agricultores em busca da redução de conflitos. O ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, responsável no governo federal pela interlocução com os movimentos sociais, também foi incumbido pela presidente de ajudar neste processo. As ações dos ministros foram definidas a partir da reunião de emergência com Dilma, quando foi feito um balanço da situação de conflitos indígenas não só em Mato Grosso do Sul, mas por todo o País.


Leia tudo sobre: POLÍTICAíndiosocupaçãosedePTCuritibafazendamorte

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas