Movimento pede boicote a deputados que pregam divisão do Pará

Campanha contra separação do Estado esquenta nas redes sociais. Deputado a favor da separação diz que adversários são 'xenófobos'

Wilson Lima, iG Maranhão |

Após o início da campanha gratuita em rádio e na televisão do plebiscito sobre a criação (ou não) dos Estados de Tapajós e Carajás, surgiram nas redes sociais movimentos de boicote a políticos que apoiam a divisão do Estado.

A campanha esquenta:

- Tacacá e Belém são estrelas do início da campanha do plebiscito

- Receita dos municípios vira alvo de disputa em campanha

- Exército vai reforçar segurança durante plebiscito

O movimento, autodenominado “Rede Sociais Unificadas”, lista 18 políticos paraenses (com fotos) e pede que os paraenses “não votem mais nestas pessoas”. Entre os deputados que se tornaram alvo deste início de boicote estão João Salame (PPS), líder da frente pró-Carajás, e José Megale (PSDB), líder da frente pró-Tapajós. “O Pará vive o pesadelo da divisão e, qual seja seu resultado final, as relações por regiões nunca mais será a mesma", diz o manifesto. "As palavras fortes, o preconceito gerado, a discriminação velada, a intolerância que temos vistos foi incentivada por políticos que aqui chegaram década atrás em busca de um sonho”, descreve a comunidade Cidade Nova, de Ananindeua, município a 19 quilômetros de Belém.

Oficialmente, o movimento contra os deputados que estão fazendo campanha pró-Carajás e pró-Tapajós não tem apoio nem é incentivado pelas frentes do não. O deputado João Salame afirmou que esse tipo de movimento é fruto do “desespero” dos unionistas pelo “crescimento da campanha do sim”. “Eles tem medo do nosso crescimento e se manifestam de maneira até xenófoba”, declarou o deputado.

Na internet, a campanha pró e contra a divisão do Estado sempre teve uma intensidade maior que nas ruas do Estado. Somente no Orkut, por exemplo, existem 150 comunidades com algum tipo de discussão pró ou contra a separação do Estado. No Facebook, já foram criados grupos também para discutir o assunto. Além disso, os paraenses também espalharam vídeos no Youtube com reportagens mostrando os problemas nas regiões que querem emancipação, para mostrar a importância da divisão e também com depoimentos, de anos anteriores, de artistas contrários à divisão do Estado. Um exemplo da força da internet é que o movimento do “Não” conseguiu convocar dois protestos contra a criação de Tapajós e Carajás por meio da internet.

“Diríamos que, na internet, estamos fazendo a pré-campanha. Somente agora é que surgem adesivos em carros, mas em redes sociais, essa é uma discussão que já ‘pega-fogo’”, disse o blogueiro Lucas Nogueira, de 17 anos, que é contra a divisão do Pará.

Reprodução
Pela proposta, o Pará será o menor dos três Estados oriundos da divisão

Debate

Além de movimentos contra deputados, a intensificação da campanha trouxe também algumas declarações inusitadas de líderes do movimento. A maior delas foi do deputado João Salame, na terça-feira desta semana. Em um debate realizado, Salame desafiou a frente do “não” a convencer o governador Simão Jatene (PSDB) a pagar o piso de R$ 1.187 aos professores que passaram 54 dias em greve e a contratar 1.200 policiais para a região metropolitana de Belém.

Se o governador pagasse o aumento e fizesse a contratação dos policiais, ele disse que renunciaria ao mandato e faria campanha pelo “não”. O desafio, segundo Salame, está de pé até às 24h desta sexta-feira (18). “Eu mantenho o desafio porque sei que eles não vão cumprir. Isso mostra o quanto a campanha contra a separação tem erros. Ora, se eles não conseguem resolver os problemas de Belém como vão resolver do Estado inteiro?”, argumentou Salame.

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