Primeira penitenciária privada do País começa a funcionar em Minas Gerais

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Complexo Penitenciário Público-Privado terá capacidade para receber 3.040 detentos do sexo masculino, em Ribeirão das Neves. A primeira das cinco unidades já está pronta

Agência Brasil

Minas Gerais inaugurou nesta sexta-feira o primeiro complexo penitenciário do Brasil construído e administrado por empresas particulares. Anunciado pelo governo mineiro como resultado de um “modelo inédito de parceria público-privada (PPP)” na América Latina, o complexo está localizado em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, com custo de R$ 280 milhões a cargo do grupo responsável pelo complexo. A cifra investida contempla também o treinamento e a capacitação dos monitores, que serão contratados pelo consórcio.

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Primeiro Complexo Prisional Público Privado do País começa a receber primeiros presos. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGEquipamentos de segurança para entrada e saída do presídio. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGPenitenciária conta com um sistema de sensoriamento de presença de última geração. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGSegundo o governo de Minas Gerais, nova unidade possui, proporcionalmente, o maior número de câmeras de vigilância do mundo (1.240). Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGComplexo terá capacidade para 3.040 presos nas cinco unidades. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGNas primeiras três semanas, metade da primeira unidade já deve estar ocupada. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGLocal também abriga salas de aula para as atividades educativas e de formação profissional. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGPresídio tem um centro de convivência para os familiares dos detentos. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MGÁrea de atendimento médico e odontológico que ficará disponível para os detentos. Foto: Carlos Alberto Pereira/Imprensa MG

Pelo projeto original, o Complexo Penitenciário Público-Privado terá capacidade para receber 3.040 detentos do sexo masculino. A primeira das cinco unidades já está pronta. A previsão é que as quatro restantes sejam concluídas até dezembro deste ano. Esta manhã, os primeiros dos 608 presos do regime fechado que ocuparão a Unidade I começaram a ser transferidos, sob um esquema especial de segurança.

De acordo com a Secretaria Estadual de Defesa Social, o governo mineiro se inspirou na experiência de outros países, como a Inglaterra, para assinar a parceria com o consórcio Gestores Prisionais Associados (GPA), ganhador da licitação em 2008. Ainda segundo a secretaria, as cinco empresas que compõem o consórcio (CCI Construções, Construtora Augusto Velloso, Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda, N.F Motta Construções e Comércio e Instituto Nacional de Administração Prisional) têm comprovada experiência na construção e administração de presídios, dispondo da “mais alta tecnologia de segurança”.

Mais: Mais de 90% dos presos estrangeiros no Brasil cumprem pena por tráfico

Além de construir a penitenciária, o consórcio vai administrar pelos próximos 25 anos e vai receber, por cada preso, R$ 2,7 mil mensais. O custo médio por detentos de outras unidades prisionais é R$ 2,8 mil, de acordo com a secretaria. Em contrapartida, o consórcio terá que atender a indicadores de desempenho definidos pelo governo estadual, entre eles, impedimento de fugas e rebeliões. Em eventual ocorrência de um desses casos, o valor pago ao consórcio sofrerá desconto. Tanto a manutenção das unidades prisionais quanto a execução de serviços como fornecimento de refeições, uniformes, atendimento à saúde e assistência jurídica aos detentos será de responsabilidade do consórcio. A segurança interna ficará a cargo de funcionários contratados pelo grupo, e agentes penitenciários do estado cuidarão do entorno da unidade.

Das cinco unidades do complexo, duas abrigarão 1.824 presos condenados ao regime fechado e duas, 1.216 detentos do semiaberto. De acordo com a secretaria, exceto em casos excepcionais, a penitenciária será ocupada por presos transferidos de outros presídios da região que estejam aptos e dispostos a trabalhar e estudar, como forma de ressocialização.

Um dos itens do contrato de parceria estabelece que a GPA não poderá obter lucros com o trabalho dos presos. Como prevê a legislação, os detentos receberão três quartos do salário mínimo por uma jornada de cinco dias, de seis horas de trabalho. Oito empresas de confecção de móveis, calçados, refrigerantes e de uniformes já manifestaram à secretaria interesse em instalar galpões no interior da penitenciária.

A secretaria aponta entre as vantagens do modelo a possibilidade de, além de permitir a ressocialização dos presos, garantir maior segurança aos funcionários. A proposta é que não haja mais de quatro presos por cela, montada com piso de placa de aço entre duas camadas de concreto que, juntas, totalizam 29 centímetros de cimento.

O complexo terá 1.240 câmeras de vigilância. Um sistema de sensores também acionará um alarme sempre que alguém ultrapassar as áreas de livre circulação. Os agentes não terão contato com os presos, já que as grades das celas serão abertas e fechadas eletronicamente. Inicialmente, a unidade não vai contar com aparelhos capazes de bloquear os sinais de celulares.

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