Quatro capitais terão protestos contra tarifa de transporte nesta sexta-feira

Por Bárbara Libório e Vitor Sorano - iG |

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Manifestação conjunta em BH, Recife, Rio e SP tenta dar viés nacional à reivindicação; Joinville e Salvador têm atos pacíficos

Reunião do Movimento Passe Livre em SP
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Reunião do Movimento Passe Livre em SP

Após protestos com algumas centenas de pessoas em cidades como Joinville (SC) e Salvador nesta semana, movimentos contrários ao aumento das passagens de transporte público realizam nesta sexta-feira (9) manifestações em outras quatro capitais para dar mais visibilidade à revindicação.

"Em 2013 foi assim. Antes dos grandes atos no centro de São Paulo houve vários pequenos", justifica Andreza Delgado, do Movimento Passe Livre São Paulo (MPL-SP).

Foram convocados protestos em Belo Horizonte (Praça Sete, 17h), Recife (Grande Recife,-São José 7h30) e Rio de Janeiro (Cinelândia, 17h) e São Paulo (Theatro Municipal, 17h) - onde a Polícia Militar espera a presença de 5 mil pessoas.

A coincidência tem por objetivo dar um caráter nacional à pauta – "por isso escolhemos sexta-feira", diz Letícia Delgado, do Tarifa Zero BH. Os grupos discutem a realização de um novo ato na semana que vem.

O objetivo é forçar o Poder Público a revogar os reajustes nas tarifas de ônibus (e Metrô, em São Paulo) aplicados nas últimas semanas ou, no caso pernambucano, impedir o aumento.

Em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte, as passagens de ônibus subiram respectivamente, 16,7%, 13,3% e 8,8% (no ônibus mais comum), mais do que os aumentos que acabaram revogados após as manifestações de junho de 2013 (6,7%, 7,3% e 5,7%).

No Recife, a Frente de Luta Pelo Transporte Público em Pernambuco visa a impedir uma reunião do Conselho Superior do Transporte Metropolitano (CSTP), que definirá o aumento nesta sexta-feira (9). O Ministério Público local também pediu o adiamento do encontro, mas segundo um representante dos manifestantes, ele está mantido.

"A gente vai estar lá para não deixar que a reunião aconteça", diz Túlio de Luna, da Frente de Luta Pelo Transporte Público em Pernambuco. "Se o aumento se concretizar, na próxma semana vai ocorrer novo protesto", afirma.

Segundo levantamento do iG, grupos ligados ou não ao MPL convocaram protestos em 14 cidades contra o aumento de tarifas. Florianópolis, no dia 13, é uma delas.

Polícia paulista é criticada por ONGs de direitos humanos
A Polícia Militar de São Paulo vai usar o "acompanhamento aproximado" durante a manifestação. Segundo o Major Larry de Almeida Saraiva, serão criados cordões de policiais para isolar os manifestantes durante o protesto. "Estaremos em duas colunas nas laterais do grupo que vai se deslocar nas vias", afirma.

A estratégia, usada em 2013 e 2014, preocupa as organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional afirma que, em fevereiro de 2014, documentou a ação de policiais que cercaram os manifestantes e os detiveram arbitrariamente.

"Temos registros em vídeo que mostram que a manifestação estava pacifica quando a polícia decidiu arbitrariamente por encerrá-la, e ficou horas cercando o pessoal no local. Nos preocupamos porque a Polícia Militar de São Paulo tem um histórico de violar o direito à manifestação com o uso abusivo da força", afirma Renata Neder, assessora de direitos humanos da AI.

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A Artigo 19 também critica. "Já vimos o uso dessa tática antes com um número desproporcional da presença da policia. Isso gera um efeito intimidatório e pode aumentar o conflito. Além disso, se tem tumulto, não tem rota de escoamento. Os manifestantes são reféns da PM", explica Camila Marques, advogada da organização.

Na última quarta-feira (7), a Polícia Militar afirmou que a ação visa garantir a segurança das pessoas que não estão participando do ato. Revistas acontecerão nos entornos do local da manifestação apenas para quem tiver algum tipo de comportamento suspeito.

O uso de armas menos letais, como balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo estão autorizados. Segundo o Major, a utilização se dará em último caso, apenas quando for necessário.

"As armas menos letais não são devidamente regulamentas. Existem diversos tipos de balas de borracha com diferentes potenciais de letalidade e isso precisa estar regulamentado: que tipo de bala, como ela deve ser usada, qual o treinamento específico", diz Renata.

Ato do MPL dispersa e mascarados invadem e quebram loja de carros de luxo em São Paulo. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloCentenas de manifestantes marcham em direção à av. Rebouças em protesto do MPL. Foto: Facebook MPLMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressMPL reúne centenas em protesto que marca um ano da redução de tarifas em SP. Foto: Facebook MPLMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press

Em SC e BA, catracaços pacíficos
As manifestações em grandes cidades realizadas nesta semana ocorreram de forma pacífica, segundo os organizadores e a polícia. Tanto em Joinville quanto em Salvador, o protesto terminou com catracaços – ato em que os usuários entram nos veículos sem pagar a passagem.

Na capital baiana, onde 400 pessoas foram às ruas na quarta-feira (7) segundo o Tarifa Zero Salvador (a Polícia Militar fala em 200), um mabalabarista foi detido pois portava três facões, que alegou usar para seu trabalho.

"O protesto foi muito bom. Não houve nenhum tipo de confronto com a polícia", diz Daniel Caribé, um dos integrantes do Tarifa Zero Salvador.

Em Joinville, capital econômica de Santa Catarina, cerca de 200 pessoas (150, de acordo com a PM), participaram do protesto convocado pelo MPL local, também na quarta-feira (7). Não houve prisões mas Pedro Lenhagui Bergamaschi, integrante do movimento, reclamou da atitude da polícia.

"A PM estava bem truculenta no início. Acusaram via rádio os manifestantes de depredarem veículos civis, o que nunca aconteceu. O protesto foi totalmente pacífico".

Representante do Comitê Regional Unificado Contra o Aumento das Passagens de Ônibus no ABC, Aldo Santos também denunciou a detenção de quatro manifestantes durante um protesto em Mauá na quarta-feira (7), e o uso de bombas de gás para dispersar manifestação realizada na terça-feira (6), na divisa de São Bernardo do Campo e Santo André.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a Polícia Militar não confirmaram as informações. A Guarda Civil de Mauá, que teria sido responsável pelas detenções, também não.

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