Governo consulta ministérios sobre quanto podem dar de aumento a servidores

Próxima semana é decisiva para o Planalto conter paralisações e incluir reajustes salariais no orçamento de 2013. Dilma deu sinal verde para secretário do Planejamento corre a Esplanada

Nivaldo Souza - iG Brasília |

A estratégia do Palácio do Planalto de deixar a negociação com as centrais sindicais para agosto, prazo final para aprovação do orçamento de 2013 pelo Congresso Nacional, já está sendo avaliada como equivocada por integrantes do governo.

Leia também:

Polícia Federal intensifica fiscalizações em aeroportos do País

Servidores públicos federais fazem manifestação no centro do Rio

Servidores e policiais civis entram em choque com a PM em protesto em Brasília

Diante de uma semana tensa, após a paralisação de Policiais Federais e a recusa de parte dos professores universitários à proposta de aumento, o governo definiu a próxima semana como decisiva para resolver o impasse até dia 24 – exatamente sete dias antes do limite para aprovação do orçamento pelo Congresso.

Conforme a reportagem do iG apurou, o Planalto acelerou a elaboração de propostas de reajustes salariais e planos de carreira para promover uma rodada decisiva de negociações com sindicalistas entre segunda-feira (13) e sexta-feira (17).

O secretário de relações do trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, recebeu autorização da ministra Miriam Belchior para rodar os ministérios com servidores em greve para discutir até onde é possível esticar o orçamento das pastas.

Técnicos recusarão aumento

Mas antes de bater o martelo sobre as propostas a serem apresentadas às centrais sindicais, o primeiro teste de Mendonça será com os técnicos administrativos das universidades federais.

O governo ofereceu reajuste de R$ 1,7 bilhão para a categoria, por meio um aumento de 15,8% em três parcelas anuais em 2013, 2014 e 2015.

A proposta será rechaçada amanhã pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). Os técnicos exigirão de 25% de aumento, conforme apurou o iG .

Planalto: relação com centrais ainda é boa

Apesar do desgaste com as centrais sindicais pelos aumentos, o governo avalia que a afinidade entre a gestão do Partido dos Trabalhadores (PT) com os sindicatos se mantém.

Mendonça tem mantido conversas permanentes com o assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência, José Lopez Feijóo. Ex-vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Feijóo é o homem do governo responsável por azeitar o diálogo com os sindicatos.

O assessor do ministro Gilberto Carvalho é responsável por atualizar o termômetro do relacionamento com as centrais. A avaliação que chega à presidenta Dilma Rousseff é de que a greve é uma questão pontual. Ou seja, as centrais continuam próximas ao Planalto.

Mas Dilma foi alertada sobre a necessidade de flexibilizar nas negociações, apresentando propostas aos grevistas. A falta de diálogo é apontada como principal mote para o levante de greve por cerca de 350 mil servidores federais de um total de 570 mil na ativa, conforme balanço da Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef).

A sinalização dada à presidenta deve acrescentar alguns bilhões ao pacote de R$ 8 bilhões inicialmente previsto como limite para o crescimento da folha de pagamento da União, que saltou de R$ 78,5 bilhões, em 2003, para R$ 187,8 bilhões, em 2012, conforme balanço do Ministério do Planejamento.

As centrais sindicais avaliam em R$ 93 bilhões o montante necessário para atender as reivindicações de mais de 30 categorias em greve. Na próxima quarta-feira (15), os servidores prometem parar a Esplanada dos Ministérios com a maior manifestação realizada até agora em Brasília pelos servidores grevistas.

    Leia tudo sobre: greveservidor públicogovernopalácio do planalto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG