Em evento paulista para mais de 500 empresários, ministro da Fazenda defende condução do governo de Dilma Rousseff

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reiterou nesta segunda-feira (30) que não há desentendimentos com a presidente Dilma Rousseff. O ministro participou de um almoço-debate com empresários que integram o grupo Lide, em um hotel na zona sul de São Paulo. Levy fez uma explanação ao empresariado sobre os objetivos e riscos do ajuste fiscal que tem conduzido, marcado por elevação de impostos e corte de despesas em benefícios que alteram benefícios de trabalhadores.

"Não há nenhuma desafinação [com a presidente Dilma Rousseff]. Há uma afinidade. Ela é uma pessoa extremamente genuína e eu disse que ela quer endireitar o que está errado. Mas as pessoas podem escolher que lado do que eu disse no evento. E focaram apenas na segunda parte", explicou por três vezes.

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Em evento do setor financeiro na semana passada, o ministro disse que Dilma tem “um desejo genuíno de acertar as coisas, não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno” o que teria gerado um mal-entendido após matéria publicada na Folha de S. Paulo. Levy desmentiu o problema hoje e a presidente também. "Quem quiser ouvir o áudio está disponível no site do Ministério da Fazenda. Tem o áudio original, em inglês, e tem também a tradução", avisou Levy.

Em evento no Pará, a presidente havia desmentido o mal-entendido nesta manhã. “Isso que nós fazemos é um imenso esforço para fazer o ajuste, e acho que às vezes o caminho em política, vocês sabem, que às vezes eu não posso seguir um caminho curto, porque eu tenho de ter o apoio de todos aqueles que me cercam. Então, tem uma questão de construir o consenso. É nesse sentido que ele falou, e não tem porque criar maiores complicações por isso. Ele já explicou isso exaustivamente”, disse a presidente em entrevista coletiva após evento do programa Minha Casa, Minha Vida, em Capanema (PA).

Para explicar a interpretação feita pelo jornal, Levy comparou o governo a uma empresa. Ele disse que a interpretação feita teria criado um banzé (confusão). "Pegar apenas a segunda parte [do que o ministro disse no evento] é fazer, como diz o termo antigo, um banzé. Como em qualquer empresa, as coisas são difíceis. Podemos acreditar nas vontades genuínas ou pensar nas dificuldades do dia a dia de uma empresa."

Ao dizer isso, Doria, que já havia criticado a presidente e seu governo, pediu que levantasse a mão na plateia quem dava um voto de confiança à figura do ministro presente. A maioria levantou. "Eu vou precisar da confiança que vocês me oferecem hoje quando formos aprovar as medidas no Congresso. Para um desenvolvimento maior, é fundamental o ajuste. Depende muito de confiança. Quando tomamos qualquer decisão de ajuste, é um esforço que fazemos para alcançar."

Em sua apresentação, Levy ressaltou a importância de atrair investimentos via mercado de capitais, de obter a confiança do empresário brasileiro, do trabalhador para criar condições de aprovar as medidas do ajuste fiscal no Congresso. 


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