Haddad (à esquerda), Castro, Freixo e Zema
Fotos: Edilson Dantas, Roberto Moreyra, Domingos Peixoto, Marcos Corrêa - 18.07.2022
Haddad (à esquerda), Castro, Freixo e Zema

Pré-candidatos aos governos estaduais e à Presidência chegam ao período de convenções partidárias, que começa nesta quarta-feira, em busca de soluções para impasses na escolha de vices e na montagem de alianças nos principais colégios eleitorais. Em três dos quatro estados com mais eleitores, Rio, São Paulo e Minas, nomes que aparecem à frente nas pesquisas de intenções de voto ainda tentam fechar suas chapas. Nos três estados, há incógnitas em relação ao destino do União Brasil, partido que detém a maior fatia do fundo eleitoral, o que tem gerado entraves para o acerto de coligações nesta reta final de pré-campanha.

O calendário das convenções, nas quais os partidos oficializam suas candidaturas ao Executivo e ao Legislativo, vai até o dia 5 de agosto, conforme estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para esta quarta, dia que abre o período, estão marcadas as convenções nacional do PDT, que oficializará Ciro Gomes como candidato a presidente, e a estadual do PL em Minas Gerais, onde o partido lançará o senador Carlos Viana como candidato ao governo.

A candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) será oficializada no próximo domingo, no estádio do Maracanãzinho, no Rio. O ex-presidente Lula (PT), líder nas pesquisas presidenciais, terá seu nome formalmente lançado pelo PT na quinta-feira, em São Paulo, mas não participará da convenção. No mesmo dia do encontro, tratado pelo partido como protocolar, Lula cumprirá agenda em Recife.

Em São Paulo, o pré-candidato do PT ao governo, Fernando Haddad, tenta solucionar até a data da convenção estadual do partido, no próximo sábado, a definição de seu candidato a vice. Haddad buscou um acordo para indicar a ex-ministra Marina Silva (Rede). O PSOL, que formou federação com a Rede, também pleiteia a vaga e ameaça lançar uma candidatura avulsa ao Senado para concorrer com Márcio França, do PSB, outro partido cotado a indicar o vice de Haddad - o ex-prefeito de Campinas, Jonas Donizette, é um dos nomes ventilados.

Aliados de Haddad, como a própria Marina, têm sugerido que ele escolha uma mulher como vice. No caso da composição com o PSB, um argumento a favor de Donizette é a tentativa de acenar ao eleitorado menos ligado à esquerda.

"Esta é uma definição que cabe ao próprio Haddad. Meu nome surgiu neste debate como alguém com um perfil complementar na chapa", diz Donizette, que já foi filiado ao PSDB.

Assim como Haddad em São Paulo, pré-candidatos que lideram as pesquisas no Rio e em Minas têm chapas em aberto. O governador mineiro Romeu Zema (Novo), que tenta atrair o PSDB do deputado federal Aécio Neves para sua chapa, abriu o posto de vice a uma indicação do Cidadania, partido ao qual os tucanos estão federados. O PSDB, contudo, mantém a pré-candidatura ao governo de Marcus Pestana, aliado de Aécio, que pode abrir palanque para Ciro Gomes no estado.

Com o impasse, o Novo defendeu uma chapa pura para Zema, com a indicação do deputado estadual Mateus Simões, do mesmo partido, como vice. A situação é acompanhada pelo União Brasil, que chegou a definir nacionalmente, em junho, um apoio à pré-candidatura de Alexandre Kalil (PSD). Lideranças do partido em Minas, porém, buscam uma composição que permita indicar um candidato a vice, caminho fechado na chapa de Kalil.

"Formar chapa pura seria um movimento arriscado para o governador. Seguimos conversando com ele, e também com as chapas do PSDB e do PSD", afirma o deputado Bilac Pinto (União-MG).

No Rio, onde o governador Cláudio Castro (PL) e o deputado Marcelo Freixo (PSB) aparecem empatados na liderança, há impasses distintos. Freixo busca atrair o PSDB e indicar o vereador Cesar Maia como vice, mas a situação depende de um acerto entre os tucanos e o Cidadania, que deseja apoiar Rodrigo Neves (PDT). Castro apontou como vice o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), mas questões judiciais — Reis foi condenado por crime ambiental no Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode torná-lo inelegível — e a tentativa de atrair o União Brasil para a chapa deixam o cenário ainda incerto.

Aliado cobiçado

Com R$ 776 milhões à disposição do fundo eleitoral neste ano, a maior parcela entre todos os partidos, o União Brasil tornou-se um aliado cobiçado por também incrementar o tempo de propaganda de rádio e TV em suas coligações. Em São Paulo, para manter o apoio do partido, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) concordou em abrir seu palanque ao pré-candidato do União à Presidência, Luciano Bivar. Garcia já havia acertado uma aliança com o MDB para indicar seu vice, garantindo também um palanque a Simone Tebet.

Nos planos de Garcia, o União ficaria com a vaga ao Senado, com o vereador Milton Leite como candidato. Leite, porém, tem dado sinais de que pode recuar da empreitada, o que abriria nova indefinição na chapa.

"Talvez seja preferível para o União Brasil indicar um candidato a vice", avalia o deputado federal Junior Bozzella (União-SP).

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