Tarcísio e a mulher Cristiane
Arquivo pessoal
Tarcísio e a mulher Cristiane

Avaliando que a identificação crescente com Jair Bolsonaro pode trazer a reboque maior rejeição do eleitorado feminino, com o qual o presidente tem dificuldades em se comunicar, a equipe de Tarcísio de Freitas, pré-candidato do Republicanos ao governo de São Paulo, vem tentando tornar a campanha mais “feminina”. Os primeiros ensaios, considerados positivos, incluíram aumentar a participação da mulher do ex-ministro, Cristiane, em vídeos descontraídos nas redes sociais. As publicações mostram os dois trocando olhares, com a hashtag #TarCris.

A preocupação em acenar às mulheres aumentou nas últimas semanas diante do grau de rejeição que o presidente tem com esse eleitorado. Em São Paulo, Bolsonaro é aprovado por 25% e rejeitado por 52% das mulheres, de acordo com a última pesquisa Datafolha, enquanto as taxas são de 31% e 45% entre os homens, respectivamente. O caso de assédio sexual envolvendo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que oficializou ontem sua demissão, faz com que esse grupo volte ainda mais suas atenções para o governo.

A mesma pesquisa indicou que 70% da intenção de voto em Tarcísio vêm de homens — a maior taxa entre todos os pré-candidatos ao governo paulista. O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o governador Rodrigo Garcia (PSDB), por exemplo, têm cerca de metade dos votos para cada um dos sexos.

A meta agora é atrair uma vice mulher para a chapa, e até o momento a deputada federal Rosana Valle, ex-PSB da Baixada Santista, largou na frente para ocupar o cargo. A ex-aliada de Márcio França (PSB) tem outro papel considerado fundamental: ela filiou-se em março ao PL, maior partido da coalizão e também sigla de Bolsonaro.

Valle vem contribuindo para a elaboração do programa de governo do aliado com propostas voltadas para mulheres, como empreendedorismo feminino e maior atenção à saúde. A expectativa na pré-campanha é a de que, caso não fique com a vaga de vice, escolha que ainda depende de articulações na coalizão até o período das convenções partidárias, a deputada possa chefiar uma inédita Secretaria de Mulheres num eventual governo Tarcísio.

Discursos direcionados

Após ter passado quatro anos no PSB, partido que foi base dos governos do PT e hoje integra a aliança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Valle rechaça a identificação com a esquerda e diz ser alinhada às ideias de Bolsonaro e Tarcísio.

"Foi ele (Tarcísio) que me sondou (para vice). Fiquei honrada porque admiro muito o ministro. Não me encaixo nesses espectros ideológicos. Eu me filiei ao PSB por conhecer o Márcio França, que era prefeito da região, mas várias vezes votei contra o partido", diz ela.

Antes dela, a coronel da Polícia Militar Helena Reis já havia sido cotada para a vaga. Mas o fato de ser filiada ao mesmo partido do aliado, o Republicanos, foi de encontro ao desejo de dar espaço na chapa a partidos aliados.

Num evento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em maio, o ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro já havia mencionado a intenção de criar um secretariado "bem feminino", mas se recusou a se comprometer com um gabinete paritário entre homens e mulheres. Na ocasião, ele fez questão de lembrar que a ex-atleta Maurren Maggi, maior nome da história do atletismo feminino brasileiro, tem trabalhado com sua equipe para elaborar propostas voltadas ao esporte.

A pré-campanha tem instruído Tarcísio a citar uma lista de mulheres que fizeram parte de seu Ministério para se adiantar ao possível desgaste com o público feminino. Aliados do ex-ministro dizem que a estratégia é grudar na imagem do presidente para herdar os votos bolsonaristas, mas com cautela para não herdar o radicalismo do discurso.

"Conheci de perto agora realmente toda a capacidade das mulheres porque a gente montou um Ministério da Infraestrutura extremamente feminino. As mulheres tomaram conta da Infraestrutura e tomaram muito bem. Com profissionalismo, dedicação, compaixão. Queria dizer que, caso eleito, a gente vai ter um secretariado bem feminino", declarou Tarcísio na ACSP.

Na terça-feira, em entrevista ao programa Pânico, da "Jovem Pan", ele voltou a citar quatro subordinadas mulheres com quem havia trabalhado na Esplanada.

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