Acordo com Moraes envolvia inquérito das fake news, diz Bolsonaro
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 26/04/2022
Acordo com Moraes envolvia inquérito das fake news, diz Bolsonaro

Nessa segunda-feira (13), o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), descumpriu um acordo que colocaria fim ao inquérito das fake news e resolveria a situação do caminhoneiro bolsonarista Marcos Antonio Pereira Gomes, conhecido como “Zé Trovão”.

O chefe do Executivo contou ter aceitado conversar com o ex-presidente Michel Temer (MDB) e escrever uma nota de recuo depois dos atos de 7 de Setembro de 2021, em que tinha atacado ministros da Corte, para viabilizar as negociações.

Em entrevista ao STB News no dia 7 de junho, o mandatário afirmou que a carta foi redigida depois de ligações com Moraes, em que teriam combinado “certas coisas” que o ministro não teria cumprido.

Na segunda-feira, ao falar com jornalistas no Palácio do Planalto, Bolsonaro contou: “Eu assinei a carta. Eu me descapitalizei politicamente. Levei pancada para caramba em troca de um cumprimento do outro lado da linha, coisa simples, até sobre esse inquérito que não tinha cabimento”.

Questionado, Temer negou. “As conversas se desenvolveram em alto nível como cabia a uma pauta de defesa da democracia”, disse em nota enviada ao jornal Poder360. Moraes ainda não se pronunciou sobre o caso.

A carta a qual o presidente se refere foi escrita com a ajuda de Temer e publicada 2 dias depois das manifestações do 7 de Setembro de 2021.

No documento, Bolsonaro disse que nunca teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”. Declarou que “na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de ‘esticar a corda’, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”. Também afirmou que os ataques feitos a Moraes “decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”.

À imprensa, Bolsonaro disse que também conversou com Moraes sobre o caso de Zé Trovão. “Até tratamos sobre o Trovão. Tínhamos o risco do Trovão voltar para cá, ser preso e o Brasil parar. Como vamos tratar o caso do Trovão. Foi discutido ali. ‘Eu vou tratar dessa maneira.’ E nada foi cumprido, nada, zero.”

O caminhoneiro é investigado por realizar a articulação dos atos contra as instituições no 7 de Setembro de 2021. Ele teve a prisão preventiva decretada alguns dias antes das manifestações e ficou foragido no México.

Em 26 de outubro, se entregou à PF (Polícia Federal) em Joinville (SC). Em dezembro, Moraes mandou Zé Trovão para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e proibiu o uso das redes sociais. Três meses depois, a prisão domiciliar do caminhoneiro foi revogada pelo ministro.

Eis a íntegra da nota enviada pelo ex-presidente Michel Temer:

“Em relação à declaração de hoje do Senhor presidente da República sobre a assinatura da carta de 9 de setembro, tenho o dever de esclarecer que fui a Brasília naquela oportunidade com o objetivo de ajudar a pacificar o país e restabelecer o imperativo constitucional da harmonia entre os Poderes. As conversas se desenvolveram em alto nível como cabia a uma pauta de defesa da democracia. Não houve condicionantes e nem deveria haver pois tratávamos ali de fazer um gesto conjunto de boa vontade e grandeza entre dois Poderes do Estado.

“Michel Temer.”

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