Anthony Garotinho
Marcelo Theobald/Agência O Globo - 04.09.2019
Anthony Garotinho

Com entraves políticos e jurídicos para concorrer ao Palácio Guanabara,  o ex-governador Anthony Garotinho (União) tenta reorganizar a rota eleitoral da família em meio a opções divergentes de seus filhos, a deputada federal Clarissa Garotinho (União-RJ) e o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (sem partido).

Clarissa, que busca concorrer ao Senado, tem ampliado críticas ao governador Cláudio Castro (PL) na tentativa de ganhar apoio para um segundo palanque do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Rio. Wladimir, que não concorrerá neste ano, procura manter relação amistosa com Castro em meio a turbulências na Câmara de Municipal de Campos, que passou a ter maioria alinhada ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), aliado do governador e adversário dos Garotinho.

Na semana passada, em seu programa de rádio, Garotinho sinalizou que pensa em recuar da candidatura ao governo e do enfrentamento direto com Castro nas urnas.

"Tenho que tomar uma decisão que mantenha em harmonia a minha família. Não posso deixar minha família intranquila. Tenho que tomar uma decisão sensata e de acordo com a realidade do país" afirmou.

A cúpula do União Brasil no Rio defende o apoio a Castro e ao petista André Ceciliano para o Senado. Com a resistência no próprio partido, Garotinho diz que avalia concorrer ao Legislativo.

Também pesam contra o ex-governador duas condenações em segunda instância, por improbidade administrativa e cooptação de votos, que o tornam inelegível. Na esfera eleitoral, Garotinho se ampara em um recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na Justiça comum, a aposta é que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheça a retroatividade de mudanças recentes na lei de improbidade, o que faria sua condenação prescrever.

Caso esteja apto, Garotinho tende a se lançar a deputado federal, o que pode criar impasses para a filha concorrer ao mesmo cargo. Em 2018, Clarissa e Wladimir se elegeram juntos à Câmara, mas a avaliação de interlocutores da família é que não seria simples repetir o feito.

Para se viabilizar ao Senado, Clarissa argumenta que Bolsonaro tem hoje “meio palanque” no Rio, devido à presença de apoiadores do ex-presidente Lula (PT) na coligação de Castro. A deputada se aproximou do bolsonarismo e, na semana passada, participou de um culto com a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Os atritos da irmã com Castro criaram uma saia-justa para Wladimir, no sábado. Enquanto o prefeito participava de um culto evangélico com o governador em Campos, Clarissa afirmou que Castro “se prepara para trair Bolsonaro”. Após o evento, Castro ignorou o prefeito e frisou que seu anfitrião foi Bacellar, cujo irmão, o vereador Marquinhos Bacellar (Solidariedade), busca assumir a presidência da Câmara Municipal em 2023.

Uma vitória de Marquinhos, apoiado hoje pela maioria dos vereadores, poderia isolar Wladimir politicamente. Por ora, para apaziguar o cenário, o prefeito tem indicado que ele e seu grupo não farão oposição em Campos à candidatura de Castro.

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