Luís Roberto Barroso, presidente do TSE
Carlos Alves Moura/ STF
Luís Roberto Barroso, presidente do TSE


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, refutou as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL), de que o sistema eleitoral possui "vulnerabilidades" .


O chefe do Executivo disse isso em sua tradicional live de quinta-feira (10). No sábado (12), em entrevista à Rádio Tupi, ele repetiu que o processo ainda suscita desconfiança e declarou que o Ministério da Defesa identificou "algumas dezenas de dúvidas" e fez uma série de questionamentos até o momento não respondidos pelo TSE.


O iG procurou a pasta para questionar quais seriam as dúvidas, mas não obteve retorno. Barroso, em entrevista publicada no jornal O Globo deste domingo (13), esclareceu a versão da Justiça Eleitoral.


"O que há de minimamente verdadeiro: há um representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência das Eleições. Em dezembro, ele apresentou uma série de perguntas para entender como funciona o sistema. Elas entraram às vésperas do recesso. Em janeiro, boa parte da área técnica do TSE faz uma pausa, e agora as informações solicitadas estão sendo prestadas e vão ser entregues na semana que vem. Só tem perguntas. Não há nenhum comentário. Não falam de vulnerabilidade", defendeu o ministro.

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Para Barroso, o que Bolsonaro faz com isso é adiantar a estratégia que ele pretende adotar na campanha presidencial. O presidente da República se posiciona contra o voto eletrônico e costuma incitar dúvidas sobre a confiabilidade desse modelo de votação.


"Ele antecipou a estratégia dele, que é: não importa quais sejam as respostas, eu vou dizer que o sistema eleitoral eletrônico tem vulnerabilidades. Ele não precisa de fatos, a mentira já está pronta", acusou Barroso.


O ministro lembrou ainda que o presidente tinha dado sua palavra de que esse assunto estaria encerrado, chegando a até elogiar o sistema de votação eletrônico. "O filme é repetido, com um mau roteiro. Não há nenhuma razão para assistir à reprise. Antes, o presidente dizia que tinha provas de fraude. Intimado a apresentá-las, (ficou claro que) não havia coisa alguma. Essa é uma retórica repetida. É apenas um discurso vazio", criticou.



Ao longo da entrevista, Barroso também reclamou do Telegram, aplicativo de mensagens instantâneas que se nega a negociar a Justiça Eleitoral para combater a desinformação, e sobre o vazamento de dados do inquérito sobre os ataques hackers sofridos pelo TSE. Quanto a isso, ele disse que Bolsonaro beneficiou milícias digitais .

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