Presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo
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Presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, atacou nesta sexta-feira o congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, assassinado em um quiosque no Rio de Janeiro , para negar que houve racismo. Em publicação nas redes sociais, Camargo afirmou que o refugiado "andava e negociava com pessoas que não prestam" e que "foi um vagabundo morto por vagabundos mais fortes".

"Moise andava e negociava com pessoas que não prestam. Em tese, foi um vagabundo morto por vagabundos mais fortes. A cor da pele nada teve a ver com o brutal assassinato. Foram determinantes o modo de vida indigno e o contexto de selvageria no qual vivia e transitava", escreveu o presidente da Palmares.

Horas antes, Camargo havia publicado que "não existe a menor possibilidade" de a Fundação Palmares prestar homenagens ao congolês. Segundo ele, Moïse foi vítima de um crime brutal mas "não fez nada relevante no campo da cultura".

"Moise foi morto por selvagens pretos e pardos — crime brutal. Mas isso não faz dele um mártir da "luta antirracista" nem um herói dos negros. O crime nada teve a ver com ódio racial. Moise merece entrar nas estatísticas de violência urbana, jamais na história", disse Camargo ao se referir a uma declaração do poeta e escritor franco-congolês Alain Mabanckou, que participa da 11ª edição da Festa Literária das Periferias (Flup) no Rio.

A família de Moïse alega que ele foi morto após cobrar uma dívida de R$ 200 referentes a diárias de trabalho no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense. Três suspeitos que aparecem no vídeo que mostra o congolês sendo espancado já foram presos. Eles negaram que o assassinato tivesse motivação racista e disseram que as agressões começaram após Moïse abrir uma geladeira do estabelecimento para pegar cervejas.

Em suas redes, Camargo ainda comparou o caso com a morte da policial militar, também negra, Tatiana Regina Reis da Silva, de 37 anos, assassinada durante uma tentativa de assalto em Guarulhos, na grande São Paulo, enquanto estava de folga.

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"Nossos valores estão sendo corrompidos. Há algo muito errado quando o assassinato de uma mulher negra que dedicou sua vida à defesa da sociedade é ignorada. Mas a morte de um negro envolvido com selvagens, que nada fez pelo País, gera protestos, matérias e narrativa de racismo", escreveu.

O procurador da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio, Rodrigo Mondego, que também representa a família de Moïse, disse que Camargo vai responder pelas declarações:

"Esse VAGABUNDO vai responder por essa mentira absurda que está falando. A família do Moïse está estarrecida com essa fala criminosa desse sujeito. Já estamos estudando as medidas cabíveis."

Na última terça-feira, uma publicação da Fundação Palmares foi criticada por afirmar que "racismo não tem cor". Na ocasião, usuários das redes sociais condenaram o discurso de "racismo reverso". A nota fazia alusão a uma campanha antirracista de uma rede de academias.

"A Fundação Cultural Palmares repudia e lamenta profundamente a campanha racista que está circulando nas redes sociais, a qual visa dividir os brasileiros e fomentar o ódio racial. Racismo é racismo, não importa a cor de quem está incentivando essa prática abominável", dizia o comunicado da Fundação, que foi compartilhado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) e pelo próprio presidente do órgão.

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