Deputado Luis Miranda
Pedro França/Agência Senado
Deputado Luis Miranda

 Em depoimento prestado à Polícia Federal, o ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Jonathas Diniz Vieira Coelho, que é capitão-de-corveta da Marinha, confirmou o encontro do mandatário com o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) em março deste ano . O parlamentar está no centro do inquérito sobre suposta prevaricação do presidente Jair Bolsonaro envolvendo suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.

Miranda afirma que no dia 20 de março ele e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, foram relatar as suspeitas de irregularidades no contrato ao presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Em depoimento à CPI, eles disseram ter levado cópia da Invoice a Bolsonaro.

No depoimento prestado à PF no último dia 1º, o ajudante de ordens de Bolsonaro confirmou quem em 20 de março deste ano, após voltar de um evento em Taguatinga, onde acompanhava o presidente, recebeu uma mensagem de Miranda na qual ele pedia para "Avisar o PR que está rolando um esquema de corrupção pesado na aquisição das vacinas dentro do Min. da Saúde".

A oitiva foi tomada pelo delegado William Tito Schuman Marinho, que conduz as apurações. Segundo o relato feito por Diniz Coelho, o presidente tomou conhecimento dessa mensagem. O depoimento está presente no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suposta prevaricação de Bolsonaro, para o qual a PF solicitou a prorrogação por mais 45 dias.

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"QUE, de imediato, o Presidente da República solicitou ao depoente que entrasse em contato com o Deputado Federal para pedir que ele comparecesse, ainda no dia 20/03/2021, ao Palácio da Alvorada. QUE ligou para o Deputado Federal informando sobre a orientação do Presidente da República. QUE o Deputado Federal informou que compareceria ao Palácio da Alvorada acompanhado por duas pessoas. QUE recebeu a confirmação do Deputado Federal às 16:07", diz o depoimento.

Ainda de acordo com o relato do capitão-de-corveta, ele "se recorda que a reunião ocorreu entre às 16h30 e 17h30. QUE o Deputado Federal chegou, de fato, acompanhado por duas pessoas: uma se identificou como sendo a esposa do Deputado Federal; a outra, soube posteriormente, pela imprensa, que seria o irmão do Deputado Federal. QUE os recebeu numa área de embarque e desembarque e os conduziu para o local da reunião, na biblioteca".

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A investigação busca saber se Bolsonaro cometeu crime de prevaricação por ter recebido informações a respeito de supostas irregularidades na compra da vacina no mês de março e por não ter, na ocasião, determinado abertura de investigação pela PF.

O ajudante de ordens ainda afirma à PF que Bolsonaro recebeu Luís Miranda e o irmão na porta da biblioteca do Palácio da Alvorada, e que não participou da reunião, tampouco teve acesso ao conteúdo da conversa posteriormente. Ele relatou ainda que não estava na sua alçada verificar se os convidados portavam ou não aparelhos celulares.

Diniz Coelho afirmou, no entanto, ter recebido, no dia 22 de março, uma mensagem, via WhatsApp, do deputado federal, na qual ele reencaminhou um documento e um áudio.

"QUE reencaminhou, provavelmente no mesmo dia, ao celular do Presidente da República as mensagens (texto e áudio) que recebeu, no dia 22/03/2021, do Deputado Federal. QUE quer deixar claro que o contato que manteve com o Deputado Federal foi de caráter impessoal", concluiu.

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