Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro
Agência Brasil
Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro


O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), afirmou em entrevista à TV Globo que "não tinha conhecimento das viagens" do agora ex-secretário de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro , a presídios de segurança máxima localizados em outros estados e definiu essas visitas como uma "traição".

A prisão de Montenegro , realizada na manhã de hoje pela Polícia Federal (PF), aconteceu após a retirada de cela do principal chefe da maior facção criminosa do estado, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, do Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, em 28 de maio deste ano. O fato ocorreu depois de uma visita do ex-secretário à penitenciária para uma conversa com o detento no pátio.

Montenegro tinha o hábito de visitar cadeias duas vezes por semana, principalmente as do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste da capital, onde estão os principais chefes de facções criminosas. Um dos presos visitados pelo secretário foi Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, de 50 anos, solto no último dia 27. Apesar de Castro dizer que não sabia das visitas do secretário a presidiários, ele já era alvo de um inquérito instaurado pela Polícia Federal e uma investigação conjunta com o Ministério Público Federal do Rio.

"A gente sempre quer acertar. Não podemos é manter um secretário, mesmo sabendo de erros deste tipo. Eu não tinha conhecimento dessas viagens, não foram avisadas ao meu gabinete. Se soubesse, é claro, eu perguntaria o motivo. Um dos motivos da exoneração é essa traição, essa quebra de confiança", afirmou.


Castro não explicou o porquê de o sistema de inteligência do Governo não ter identificado as viagens e visitas frequentes de Montenegro a presídios. "O setor anti-corrupção do Estado vinha analisando essa questão. Isto aconteceu em um presídio federal fora do Rio. A PF fez um ótimo trabalho e a parceria existe para isso. Se a pessoa erra, as duas forças juntas vão agir", afirmou.


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A prisão de Montenegro representa desgaste político para Castro, que chegou a anunciar a saída dele da Seap, na semana passada, mas voltou atrás da decisão, mesmo com um inquérito instaurado pela Polícia Federal e uma investigação conjunta com o Ministério Público Federal do Rio. Aliados do governador chegaram a aconselhar a exoneração de Montenegro, como forma de evitar uma crise institucional, mas nem assim ele foi retirado do cargo.

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