TSE crê que Bolsonaro não diminuirá as críticas ao sistema eleitoral
Reprodução: iG Minas Gerais
TSE crê que Bolsonaro não diminuirá as críticas ao sistema eleitoral

Diante da derrota pelo plenário da Câmara dos Deputados na última terça-feira (10) da proposta que previa a implementação do voto impresso a partir de 2022, a cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) evita comemorações sobre o assunto e não acredita que as críticas do  presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a lisura das eleições realizadas com a urna eletrônica irão cessar.

Interlocutores da Corte ouvidos pelo Globo afirmam que a ordem no TSE foi de evitar comemorações ou declarações, e que o momento é o de buscar mecanismos para aumentar ainda mais a transparência do sistema de votação -- ou até resgatar a confiança de quem passou a duvidar das urnas eletrônicas.

Nos bastidores do TSE, já havia a ideia de que, uma vez encerrado o debate na Câmara e com os ânimos arrefecidos, o tribunal deverá, aos poucos, dar início a estudos para viabilizar novas medidas de transparência sobre segurança. Uma delas é o aumento do número de urnas que passará pelos testes de integridade, que são realizados no dia da votação oficial, por meio de amostragem, para demonstrar publicamente o funcionamento dos equipamentos.

Ainda de acordo com integrantes do TSE, os ministros resolveram adotar uma postura cética em relação dos discursos do presidente, já que não tinham esperanças de que Bolsonaro fosse mudar o tom -- da mesma forma como reiterou os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) mesmo após o duro recado dado pelo ministro Luiz Fux na última quinta-feira.

Já nesta quarta-feira, apesar das declarações do presidente da câmara, Arthur Lira, de que o presidente iria mudar o discurso, Bolsonaro manteve os ataques ao TSE dizendo que o resultado mostrou que parte do Legislativo não acredita na "lisura das eleições", mesmo sem ter provas. Apesar da derrota, o presidente disse que agradeceu aos deputados que votaram de forma favorável à proposta.

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— Estou feliz com o Parlamento brasileiro. Não tivemos 308 votos, mas (foi) 229 a 218 (votos), se não me engano. 10, 11 (votos) de diferença, pouca coisa. Mas é uma demonstração que esse pessoal votou de forma consciente e deu um grande recado ao Brasil. Eles não acreditam na lisura das eleições — disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

A Câmara dos Deputados rejeitou a proposta que previa a implementação do voto impresso com 229 votos a favor e 218 contra, além de uma abstenção. O texto foi arquivado, já que são necessários ao menos 308 votos para alterar a Constituição.

Na segunda-feira, o Globo mostrou que os novos ataques e acusações contra as eleições feitos sem provas por parte de Bolsonaro passariam a ser incorporados como novas provas aos inquéritos já instaurados.

No mesmo dia, o TSE enviou uma notícia-crime ao Supremo em que pediu a apuração de eventual crime na divulgação, por parte de Bolsonaro e do deputado federal Filipe Barros (PSL), de informações confidenciais contidas no inquérito da Polícia Federal que investiga o ataque hacker sofrido pela Corte em 2018.


O presidente divulgou em suas redes sociais a íntegra de um inquérito da Polícia Federal sigiloso que apura ataque ao sistema interno do TSE. Na avaliação dos ministros, a divulgação supostamente criminosa de informações e dados sigilosos do Tribunal Superior Eleitoral pode ter relação de provas com os fatos atualmente apurados no âmbito do inquérito das fake news.

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