Avião da Azul que buscaria vacinas na Índia: aéreas integram estrutura de distribuição
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Avião da Azul que buscaria vacinas na Índia: aéreas integram estrutura de distribuição

O voo frustrado do Brasil para a Índia em janeiro deste ano para transportar vacinas daquele país foi organizado e divulgado antes de o governo federal receber sinal verde para a operação, o que atrapalhou a negociação em curso, segundo documentos do Itamaraty enviados à CPI da Covid e obtidos pelo GLOBO.

As autoridades indianas, de acordo com relatos diplomáticos, não queriam mostrar que estavam exportando imunizantes ao Brasil antes de começar a vacinar sua própria população. A carga poderia ser embarcada no dia 16 de janeiro, segundo as comunicações daquela época. Mas o governo da Índia dizia que a autorização poderia ocorrer após o início do processo de vacinação na Índia.

Depois do anúncio da operação pelo próprio presidente Jair Bolsonaro , a imprensa indiana noticiou que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Anurag Srivastava, havia dito que "era muito cedo" para dar respostas sobre exportações para o Brasil das vacinas produzidas no país.

Diplomatas brasileiros recomendaram ao governo "reserva e discrição". "Contribuiria para que fosse atendido o pedido reserva e discrição na divulgação da aprovação da exportação das vacinas", dizia trecho de um dos telegramas. "Era perceptível que havia certa preocupação com críticas da opinião pública e de governos estaduais, caso fossem autorizadas exportações antes do início do programa doméstico de vacinação", registrou.

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Quando o voo já estava fretado no Brasil, com ampla divulgação e a aeronave estampando o slogan "Brasil Imunizado: Somos uma só Nação", a embaixada brasileira na Índia tentou conseguir autorização para que o avião pousasse no dia 18 na Índia. Isso, porém, não foi possível.

Após o dia 18 de janeiro, o governo indiano mostrou que seguia resistente à divulgação da exportação de vacinas. O chanceler S. Jaishankar pediu que não houvesse divulgação da autorização do envio das vacinas para o Brasil até o dia 22 de janeiro. A embaixada brasileira na Índia conseguiu então negociar para que a companhia aérea Emirates levasse a carga "discretamente" ao Brasil no dia 21.

Antes de o Ministério da Saúde receber a oferta da companhia aérea Azul para buscar as vacinas indianas, a Fiocruz contratou, a pedido da própria pasta, a DMS Agenciamento de Cargas e Logística para trazer o imunizantes. Segundo a Fiocruz, o voo foi cancelado quando o Instituto Serum, da Índia, comunicou em 15 de janeiro que as vacinas não estariam mais disponíveis no dia 16.

A operação frustrada custou US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) à Fiocruz . O Ministério da Saúde não esclareceu por que solicitou o fretamento de uma aeronave para buscar as vacinas ao mesmo tempo em que já negociava com a Azul, que ofereceu o voo à Índia como doação ao governo.

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