Sob acusações de parcialidade, Moro ainda tem força para a eleição presidencial?
Marcos Corrêa/PR
Sob acusações de parcialidade, Moro ainda tem força para a eleição presidencial?



O Brasil já respira as eleições 2022. Ainda não se tem candidatos confirmados, além do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas muitos nomes já fazem parte de discussões sobre o assunto. Entre eles, o do ex-juiz e ex-ministro da Justiça  Sérgio Moro . Mas será que as recentes polêmicas envolvendo a Lava Jato diminuíram a força de uma possível candidatura do responsável pela prisão do ex-presidente Lula? Será que Moro perdeu espaço e confiança da população após as polêmicas envolvendo sua parcialidade?

O iG conversou com especialistas para entender como o ex-juiz pode chegar às eleições de 2022, caso seja confirmado como candidato. Confira:

Lava Jato parcial?

Diálogos divulgados pela Agência Pública em parceria com o site The Intercept Brasil revelaram o interesse de agentes do FBI e do Departamento de Justiça americano nas investigações relativas à Operação Triplo X, que mirou a empresa de offshores Mossack Fonseca e o tríplex no Guarujá atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  A investigação relativa ao caso do triplex do Guarujá foi um dos principais capitais políticos que Moro acumulou enquanto ainda fazia parte da Lava Jato.

Além deste caso, outros ganharam destaque por mostrar uma suposta pré-disposição dos membros da Lava Jato de Curitiba em acusar o ex-presidente Lula. Veja alguns outros casos que repercutiram envolvendo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro:


Opiniões

Para Rodrigo Prando, cientista político e professor do Mackenzie, o ex-juiz Sergio Moro tem, ainda, capital político, é verificável nas várias projeções construindo cenários eleitorais - e, também, em números de intenção de voto ou de potencial de voto. Mas o especialista ressalta que a situação agora para Moro é bem delicada.

“Há o desgaste da Lava Jato, os áudios hackeados, a saída do Governo Bolsonaro, a entrada na iniciativa privada para trabalhar numa empresa que presta consultoria a uma das organizações atingidas pelas investigações conduzidas por Moro enquanto juiz e, por fim, a anulação das condenações e Lula por parte do Ministro Fachin e o julgamento da suspeição de Moro. Isso tudo, conjugado, enfraquece a imagem pública e política de Moro”, afirmou.

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Rodrigo Prando avalia, também, que Moro já não tem mais o prestígio que tinha antes, no auge da Lava Jato. “A imagem pública e política dele já não é a mesma que tinha no auge da Lava Jato. Simbolicamente, a liberdade de Lula (revertendo a prisão em segunda instância), agora, a decisão de Fachin declarando a Vara de Curitiba incompetente e, em breve, o julgamento da suspeição de Moro na condição de juiz pode impactar negativamente em sua narrativa”.

moro
Agência Brasil

Ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro

Já o especialista em análise política Alberto Carlos Almeida, o capital político de Moro se reduz, atualmente, apenas à opinião pública.

“Ele não tem capital político junto à elite política brasileira, talvez ele já até tenha tido junto à elite empresarial ou midiática, mas não tem mais, hoje o capital politico dele é de opinião pública (...) No momento em que ele deixa o ministério, ele perde mídia”, disse.

O especialista também afirma que Moro sempre foi uma pessoa associada a um único tema e que isso pode trazer prejuízos para sua imagem em uma possível corrida eleitoral.

“Ele sempre foi uma pessoa de só, e você não disputa uma presidência sendo uma pessoa de um tema só. Ele sempre falou sobre corrupção, lei e ordem, no máximo isso, temas esses que Bolsonaro também é dono, também ocupa este terreno”, afirmou Antônio Carlos Almeida.

Moro em silêncio

Rodrigo Prando avalia ainda que a falta de uma reação mais enfática com relação às acusações que o cercam pode ser caracterizada como uma preocupação. “O silêncio de Moro, no momento, tem a ver com a preocupação com as decisões do STF, principalmente, de sua suspeição no âmbito da Lava Jato. Além disso, Moro está na iniciativa privada, depois de ter abandonado a Magistratura para entrar num governo, no mundo político, e, também, ter saído desta nova arena de forma conflituosa com Bolsonaro e os bolsonaristas”.

Alberto Carlos Almeida complementa que o fato de Moro não se manifestar mostra a fata de tato do ex-juiz em temas políticos. “Ele não sabe se posicionar politicamente, ele não é um político (...) Ele não foi socializado no mundo político então ele não sabe como se comportar com relação ao que está acontecendo hoje”, disse.

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