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Agência Brasil
Articulações para eleições de 2022 movimentam bastidores e podem ter surpresa

Apesar de ainda faltar pouco menos de 2 anos para a próxima eleição presidencial, as articulações em torno de possíveis nomes para a disputa já começaram. Além de Jair Bolsonaro (sem partido), que deverá tentar a reeleição, possíveis nomes de oposição ao atual presidente já começam a despontar no ainda incerto cenário nacional. O iG conversou com especialistas para avaliar as possibilidades e sobre como o Bolsonaro poderá chegar ao próximo pleito. Confira: 

Entre os nomes que começam a ser notícia estão figuras conhecidas do grande público. Um deles é o atual governador de São Paulo, João Doria.  Ele, inclusive, já falou em uma possível aliança de centro-esquerda para o próximo pleito, além de afirmar que não vai concorrer à reeleição para o governo do estado.  

“Sou contra a reeleição. Sempre defendi mandato único de 5 anos. Não critico nem condeno os que disputam reeleição  (...) Mas eu, por ser contra a reeleição, vou manter a minha coerência”, já afirmou.  

Além disso, ele também falou sobre a possível aliança mais centrista, não como uma oposição ao bolsonarismo, mas a favor do Brasil. “A frente não deve ser contra Bolsonaro, mas a favor do Brasil”. 

Como possível nome para formar chapa com Doria, já foi especulado o nome do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Os dois poderiam formar uma chapa e concorrer ao próximo pleito justamente em uma linha política mais centrista, evocando discursos como o diálogo e o fortalecimento do mercado.  

Outros que despontam como possíveis nomes são o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, além do apresentador Luciano Huck. Recentemente, ambos se encontraram para tratar sobre uma possível candidatura em 2022. Ainda não se sabe, porém, quem viria como candidato à presidência e vice.  

moro e huck
Reprodução
Chapa pode se tornar realidade nas eleições de 2022

Aliás, as especulações para a formação de uma chapa mais centrista com o ex-juiz da Lava Jato e o apresentador têm outros nomes envolvidos também, como o próprio Rodrigo Maia, que já conversou com ambos sobre possíveis alianças. Além deles, nomes como o do vice-presidente Hamilton Mourão, do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, e até Doria já foram mencionados.  

Em resposta às perguntas de jornalistas, Moro chegou a desconversar: "Existe muita especulação sobre 2022. O que posso dizer é que há uma movimentação de pessoas com perfil de centro que têm conversado. Várias pessoas podem ser bons candidatos de centro, como o próprio Luciano Huck, o (governador) João Doria, o ex-ministro Mandetta, o João Amoêdo ou mesmo o vice Hamilton Mourão. São conversas, mas isso não quer dizer que exista algo preestabelecido", afirmou o ex-ministro, que hoje é oposição ao governo federal. 

Caminho à esquerda 

Em relação às candidaturas mais à esquerda do espectro político, destaca-se a possível união entre o ex-presidente Lula e Ciro Gomes, que, recentemente, se reaproximaram politicamente e podem formar uma chapa conjunta. Além disso, desde 2018 o nome de ambos vem sendo especulado como uma possível força política. 

Lula e o PT acompanham de perto as ações no STF que podem culminar com a anulação das sentenças do ex-juiz Sergio Moro e, desta forma, viabilizar uma candidatura. Ao contrário do que ocorreu em 2018, quando o próprio PT classificava nos bastidores como “quase impossível” uma candidatura lulista; hoje, os membros acreditam não somente na viabilidade, como também na força de Lula para 2022. 

lula
Reprodução
Ex-presidente Lula da Silva e Ciro Gomes

Além de Lula, o psolista  Guilherme Boulos também pode pintar na corrida presidencial, por ser um dos nomes mais fortes da atual esquerda nacional. Se conseguir repetir a campanha de destaque em âmbito municipal, na corrida à prefeitura de São Paulo, Boulos pode ser mais uma na disputa por um segundo turno. 

Para o advogado e especialista em direito econômico, Emanuel Pessoa, o cenário de oposição para 2022 ainda está muito desarticulado no país. “Em primeiro lugar, a esquerda se encontra desunida, o que deve ser creditado ao caráter hegemônico que o PT tem e sempre teve. Assim, os partidos de esquerda não conseguem atuar de forma homogênea, como visto nas eleições municipais”. 

E completou: “No campo que se diz de centro e na direita, temos duas situações: por um lado, o presidente tem apoio de vários partidos, de outro, há diversos candidatos potenciais para disputar com ele a centro-direita, o que dificulta uma unidade entre os que devem concorrer contra ele em 2022”. 

Já o especialista em marketing político e analista, Marcelo Di Giuseppe, acredita que ainda não existe nenhuma figura capaz de rivalizar a nível nacional com o atual presidente a afirmou, por isso, que a chamada Frente Ampla, de espectro político mais centrista, pode ser a opção. 

doria e maia
Governo de São Paulo
Doria e Maia podem se articular para 2022

“Existe uma certa glorificação de nomes que não são capazes de influenciar em uma eleição nacional desse espectro eleitoral, por isso, a melhor articulação até o momento é da chamada Frente Ampla, que mostra organização e método. O grande problema, porém, será descobrir entre tantos nomes, aquele que terá capacidade de polarizar com Bolsonaro. Afinal de contas, nem Ciro Gomes, nem Guilherme Boulos, os principais nomes desse grupo, têm ainda força para encarar um projeto nacional”.

Avaliação de possíveis nomes  

Entre tantos candidatos possíveis, os especialistas acreditam que muitos não terão a força necessária para se fortalecer o suficiente a ponto de disputar um segundo turno.  

Emanuel Pessoa diz, por exemplo, que Ciro e Lula têm problemas sérios para uma união, por isso seria difícil uma união. “Quanto à composição entre Ciro Gomes e Lula, ela deve ser difícil, dado que ambos sempre desejam estar na cabeça da chapa, além das várias críticas feitas pelo ex-governador ao ex-presidente. Claro, podem ser superadas, mas há uma questão de temperamento e de momento que dificulta isso, especialmente com o Ciro entendendo que ele não pode abrir mão de concorrer para não reduzir sua liderança no campo da esquerda”. 

Já Di Giuseppe afirma que “Moro e Huck formam uma dupla com muito reconhecimento midiático, porém, sem reconhecimento eleitoral, o que faria com que eles esperassem o melhor momento para avaliar se há ou não possibilidade de entrar no jogo pesado de uma eleição”. 

Ele ainda complementa que Doria e Maia são nomes possíveis para 2022. “Essa relação vem sendo forjada com a indicação de Rodrigo Garcia como futuro Governador do Estado de São Paulo e pela polarização que Doria vem tentando criar contra Bolsonaro. Novamente, eu entendo que exista uma supervalorização desses dois personagens, afinal, nas eleições municipais dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, os candidatos a prefeito, evitaram evidenciar o apoio de Doria e Maia, que são hoje mal avaliados em seus estados”. 

Como chega Bolsonaro 

Para Emanuel Pessoa, ainda é cedo prever como Bolsonaro vai chegar em 2022, porém, o resultado das eleições municipais deste ano estão mostrando que os candidatos do presidente não estão se saindo bem, o que pode mostrar um caminho. 

bolsonaro
Vasconcelo Quadros
Bolsonaro deve concorrer à reeleição

“Fato é que nos dois principais colégios eleitorais do país os candidatos que ele apoiou não se saíram bem, mas isso era algo já tido como provável bem antes das eleições (...) O fato do presidente não estar vinculado a um partido político tornou a sua atuação menos orgânica, apoiando alguns candidatos em praças específicas. Mesmo assim, comparando-se com o que vimos em administrações anteriores, foi um apoio relativamente discreto”, afirmou. 

Marcelo Di Giuseppe acredita que a postura do presidente mudou nos últimos meses, o que pode ter ajudá-lo a melhorar sua imagem perante o eleitorado.

“Após a entrada do Ministro Fabio Faria, houve uma mudança considerável no comportamento de Bolsonaro, com maior foco na administração e resultados e menor foco em celeumas ideológicas. Isso certamente vem fortalecendo a imagem de Bolsonaro com o presidente de todos”. 

Porém, ele afirma que ainda há a necessidade de avançar na agenda econômica. “O humor do eleitor em relação a sua situação financeira é um dos pontos determinantes para o sucesso eleitoral”, complementou Di Giuseppe.

Perspectivas de voto 

Emanuel Pessoa avalia que a próxima eleição deve ser mais centrada em um discurso mais alinhado à direita e moderado. “As próximas eleições ainda devem ser vencidas por candidatos mais alinhados à direita. Diferentemente de 2016, será uma direita mais próxima do centro, o que não significa que a ala mais à direita não terá bons resultados, apenas que não são terão tão fortes quanto em 2016”. 

Já Di Giuseppe tem uma avaliação mais crítica. Ele afirmou que o eleitor brasileiro está cada vez mais egoísta na hora de escolher um candidato. Ele explica que Bolsonaro não foi eleito apenas pela visão conservadora, mas também pelas pessoas que viram nesse personagem um discurso contra a corrupção e o avanço do Estado sobre a vida das pessoas. 

“Há um certo cansaço com relação a tudo isso e o eleitor a cada dia que passa, fica mais egoísta. Existe um grande erro no pensamento político brasileiro. O eleitor não vota no político. Ele apenas delega, através de seu voto, a missão do político fazer o que ele eleitor gostaria de fazer pela sua vida privada”.

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