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Agência Brasil
Vacina do Butantan já teve sua autorização para continuar a 3ª fase de testes

A comissão mista de Covid-19 no Senado que acompanha as medidas do Executivo federal no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) chamou o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, e o diretor do Instituto Butantan , Dimas Covas, para participar de audiência pública virtual na próxima sexta-feira (13) para discutir a suspensão da CoronaVac.

Na noite de segunda (9), a Anvisa suspendeu os testes do imunizante, que é produzido pelo laboratório Sinovac Biotech em parceria com o governo do estado de São Paulo. Sem apresentar detalhes do caso, a agência informou por meio de nota que a interrupção ocorreu devido a um "evento adverso grave" ao se referir ao  suicídio de um dos pacientes que participava da fase 3 de testes.

O Instituto Butantan criticou a medida. Em entrevista coletiva, o presidente do órgão de pesquisa informou que o "evento adverso grave" não teve relação com a vacina.

O senador Izalci (PSDB-DF) classificou como "lamentável" a paralisação das pesquisas com a CoronaVac. Presidente da Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Inovação e Pesquisa, ele lembrou que "ciência não tem partido".

"O Instituto Butantan não pode sofrer o que está sofrendo. Ele tem 126 anos, produz e distribui 80% da vacina H1N1. O Butantan não é do Doria. É do povo brasileiro. Não dá para fazer o que fizeram. Lamento muito a posição da Anvisa. Foram negligentes e politizaram", disse.

O senador Espiridião Amim (PP-SC) disse que a comissão mista tem "responsabilidade e autoridade" para convocar os representantes da Anvisa e do Instituto Butantan. O parlamentar criticou a politização que envolve a vacinação contra o coronavírus. O tema é alvo de embates públicos entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"Ninguém aqui é ingênuo para achar que só um lado está politizando. Está havendo politização em exagero, sim. Mas não venham dizer que é mocinho contra bandido. Que é o bem contra o mal. Como toda politização radical, é de ambas as partes", afirmou.

Credibilidade e politização

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse ter recebido a notícia da suspensão das pesquisas com "muita indignação". Ela criticou ainda uma publicação nas redes sociais em que o presidente da República comemora a decisão da Anvisa de interromper os testes. Ele escreveu que "mais uma que Jair Bolsonaro ganha".

"Mais de 1,2 milhão de pessoas vieram a óbito em todo o mundo. No Brasil, mais de 162 mil pessoas. Milhões de famílias em todo o mundo aguardando o início da vacinação em massa. Aqui no Brasil, os estudos caminhando. Mas, de repente, temos uma suspensão. Não era esperado. A gente vê notadamente uma postura ideológica e politica na Anvisa, e não uma postura técnica. E a comemoração do presidente da República é algo que nos traz revolta e indignação", disse.

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) também criticou a interrupção das pesquisas. Ela lembrou que o Instituto Butantan, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Evandro Chagas são referências internacionais na área de pesquisa biomédica.

"Quando li a notícia, doeu. Eu conheço a história do Butantan, da Fiocruz e do Evandro Chagas. Nós temos os melhores virologistas do mundo. O que doeu ali foi porque era como se se questionasse a credibilidade do Instituto Butantan. Isso não é para ser politizado. Nós nunca vamos ter a sensibilidade do presidente da República em relação à covid. Na verdade, ele é indiferente", lamentou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) citou uma reportagem do jornal britânico The Telegraph. Segundo a matéria, o Reino Unido pode começar a vacinação em massa dos cidadãos no dia 1º de dezembro com três imunizantes diferentes.

"Estamos mal e muito atrasados. A gente fica no meio de uma briga política. A mortalidade pode começar a diminuir na Grã-Bretanha a partir da vacinação, e aqui a gente mistura vacinação com briga politica. É lamentável", criticou.

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