Ex-governador de São Paulo, Márcio França
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Ex-governador de São Paulo, Márcio França

Embora ainda discreta, a pontuação do ex-governador Márcio França (PSB) nas pesquisas eleitorais animou a campanha do socialista. E ligou o alerta em adversários.

França subiu 4 pontos percentuais segundo o último Ibope e é considerado por seus aliados como o adversário mais difícil em um eventual segundo turno contra o atual prefeito Bruno Covas(PSDB).

A evolução do candidato do PSB criou uma espécie de " efeito França " na corrida eleitoral no município, aumentando o ambiente incerto entre os que, atualmente, disputam a possibilidade de chegar num eventual segundo turno.

Estrategistas da campanha ouvidos pelo Globo acreditam que França será o principal beneficiado dos ataques de Russomanno a Boulos, que começaram nessa semana no programa eleitoral. Nas suas inserções e no horário eleitoral, o candidato, que tem o segundo maior tempo de TV, deve reforçar seu desempenho nas pesquisas.

O discurso será o de que ele é o único candidato com chances reais de vencer Covas no segundo turno. Na última pesquisa Ibope, divulgada na última sexta-feira, França apareceu com 11% , quatro pontos percentuais a mais que na última pesquisa. Boulos tem 13% , um crescimento de três pontos, e Russomanno, 20% , após cair cinco pontos percentuais.

A expectativa da campanha do socialista é de que os três candidatos terminem a campanha empatados. Segundo eles, pesquisas internas apontam nesse sentido.

Pessoas próximas ao candidato do PSB lembram da disputa pelo governo do estado há dois anos. Na ocasião, na véspera da campanha, Paulo Skaf (MDB) tinha 26% e França, 20%, segundo o Datafolha. O então governador avançou ao segundo turno com uma diferença de 100 mil votos para Skaf.

"Vamos apresentar para o eleitor que ele é o candidato que tem chances reais no segundo turno para atrair o voto útil. Os dados mais relevantes para nós são o índice de rejeição, em que o do Márcio é o menor entre sete ou oito candidatos, e o índice de conhecimento, que está em torno de 75%, ou seja, ainda tem muitos eleitores que não o conhecem e espaço para crescer", afirmou Anderson Pomini, coordenador da campanha de França, ao Globo.

Bruno Covas tem, desde o início da campanha, considerado França um adversário perigoso . O motivo é que os dois disputam um eleitor bem parecido: os mais moderados. O que mais deixa apreensiva a campanha de Covas em relação a França é uma certa dificuldade em traçar o que seria um segundo turno entre os dois.

Com Russomanno, por exemplo, o prefeito acredita que seria o candidato preferencial de parte expressiva do eleitorado de esquerda. Com Boulos, Covas calcula que aconteceria o contrário e receberia o apoio majoritário do eleitor conservador.

Já com França, os tucanos não vêem um cenário de disputa tão previsível e, por isso, avaliam como perigoso. Ex-governador, França tem um dos mais baixos índices de rejeição: 16% contra 25% de Covas.

O que também traz preocupação ao prefeito é a relação conflituosa entre França e o governador João Doria. Em 2018, na disputa pelo governo estadual, França venceu Doria na capital paulista.

Num segundo turno com o ex-governador ficaria ainda mais difícil para Covas manter o distanciamento político de Doria, com alta rejeição entre os paulistanos. Os tucanos acreditam que França usaria a imagem do atual governador pouco popular na capital para arranhar a candidatura de Covas.

Mesmo depois de perder a liderança nas últimas semanas, Russomanno pretende evitar embates com Márcio França, e o vê como um possível aliado num eventual segundo turno. Avaliam que atacar França poderia ser um tiro no pé já que gostaria de contar com o apoio de eleitores do socialista também e acreditam que ele pode agregar a Russomanno eleitores de diversos campos políticos como direita, centro e até da esquerda.

Russomanno tem boa relação com França em sua atuação como deputado na Câmara e não gostaria de ter confronto agressivo com o socialista. Estrategistas de campanha de Russomanno acreditam que França se candidatou nesta eleição para aumentar seu índice de conhecimento na população para em 2022 voltar com mais força para concorrer ao governo estadual.

"O Russomanno não gostaria de ter um confronto agressivo com o França", diz um articulador da campanha do Republicanos em São Paulo.

Já a campanha de Boulos espera ataques por parte de França na reta final. Mas, como tem apenas 17 segundos no horário eleitoral, não deve armar nenhuma estratégia contra o candidato do PSB.

A ideia é apenas responder pontualmente aos ataques em entrevistas e nas redes sociais. Um dos pontos que vêm sendo enfatizados por Boulos desde o início da campanha e que será mantido é que França, na visão do candidato do PSOL, não pode se colocar como “progressista” porque foi aliado do PSDB no estado por anos.

Esse discurso serviria de antídoto contra uma pregação de voto útil por parte do candidato do PSB para atrair eleitores identificados com a esquerda que hoje estão com Boulos.

A tese defendida no PSOL é que França não passa de uma variante dos tucanos e não faria, de fato, um enfrentamento de posições políticas com Bruno Covas num eventual segundo turno em São Paulo.

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