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Juiz Kassio Nunes é católico e é favorito para ocupar a vaga no Supremo

O desembargador  Kássio Nunes Marques, favorito a ocupar a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF), tem bom trânsito na classe política. Piauiense, Kássio Nunes tem apoio de líderes do Centrão, como Ciro Nogueira (PP-PI); do filho do presidente Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e também de senadores piauienses como Elmano Férrer (PTB-PI).

Kássio é muito próximo de Marcus Vinícius Furtado Coêlho, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, e virou desembargador por indicação de Dilma Rousseff.

Kássio recebeu uma ligação ontem de integrantes do Palácio do Planalto pedindo que fosse a Brasília para se reunir com o presidente Jair Bolsonaro.

Até ontem, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região trabalhava para conquistar uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, segundo um amigo próximo, desembarcou na capital para se apresentar como candidato ao STJ, mas acabou surpreendido com o convite para assumir o posto no Supremo.

O encontro entre o desembargador e Bolsonaro se deu à noite. O presidente deixou o Palácio do Planalto às 18h14. Por volta das 21h, estava a caminho da casa do ministro Gilmar Mendes (STF), onde também se encontravam Dias Toffoli (STF), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o ministro das Comunicações, Fabio Faria.

Na casa de Gilmar, diante dos presentes, Bolsonaro tratou o desembargador como seu escolhido à cadeira do ministro Celso de Mello ao Supremo, que se aposenta no próximo dia 13 de outubro. A informação de que Kássio Nunes deve ser nomeado para a vaga foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, no GLOBO.

Até ontem, os cotados para assumir a vacância de Celso de Mello eram os ministros Jorge de Oliveira, da Secretaria Geral da Presidência, André Mendonça, do Ministério da Justiça, e até mesmo João Otávio Noronha, ex-presidente do STJ.

Logo após o encontro, alguns senadores foram avisados por um emissário do Palácio do Planalto que Kássio Nunes foi escolhido para a indicação ao STF. Nessas conversas, a justificativa dada pelo representante de Bolsonaro é de que Kássio foi escolhido por ser próximo de Ciro Nogueira e de Flávio Bolsonaro.

A avaliação de integrantes do Planalto é de que Bolsonaro só vai encaminhar o nome do eventual escolhido ao Senado após a vacância de Celso de Mello, em 13 de outubro. Até a formalização do nome, o presidente ainda pode mudar de ideia e indicar outra pessoa.

A previsão é que o presidente combine com Davi Alcolumbre para que a sabatina do indicado ocorra imediatamente após o envio da mensagem. A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet, já sinalizou que marcará o escrutínio tão logo os trâmites de nomeação sejam formalizados.

Kássio Nunes tem 48 anos e pode ser ministro da Corte por 27 anos. Ele é católico e apontado entre seus pares como um dos desembargadores federais mais produtivos. Ele tem uma média de 600 decisões por dia.

Tão logo a escolha de Kássio foi revelada pelo colunista Lauro Jardim, o senador Ciro Nogueira, que é alvo das investigações da Lava-Jato, correu para as redes sociais para cumprimentá-lo.

“Todos nós do Piauí estamos na torcida para que se concretize a indicação do dr. Kassio Nunes como novo ministro do Supremo Tribunal Federal, que seria o primeiro piauiense em mais de 50 anos no STF. Atual desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ele é considerado um dos desembargadores federais mais produtivos entre seus pares e todos que conhecem a sua trajetória sabem da competência e comprometimento do dr. Kassio Nunes com o seu trabalho”, escreveu o líder do Centrão.

Ciro Nogueira tem ótima relação com o desembargador, assim como a maioria dos políticos piauienses. Kássio também é próximo da deputada federal Margarete Coelho (PP-PI), que é advogada. Eles fizeram um curso de pós-graduação juntos.

Nunes foi nomeado para o cargo de desembargador federal pela então presidente Dilma Rousseff, após ter sido o mais votado em lista tríplice da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele tinha bom trânsito com o então governador Wilson Martins, do PSB.

Advogados que fizeram parte do Conselho Federal da OAB naquela época afirmam que a candidatura de Kássio Nunes ao TRF-1 tinha o apoio do PT do Piauí, que pediu votos em seu favor.

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