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Romério Cunha/VPR
Vice-presidente Hamilton Mourão


 O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não faz " arapongagem ". O termo foi utilizado na quinta-feira pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um julgamento sobre a atuação da agência. Cármen Lúcia disse que "arapongagem é crime".


Mourão comentou o julgamento do STF ao ser questionado sobre a investigação contra o ex-assessor Fabrício Queiroz. Ele disse que os cheques depositados na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro são um um "assunto pessoal" do presidente Jair Bolsonaro. Em seguida, criticou os vazamentos no inquérito que investiga Queiroz e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e fez uma comparação com o trabalho da Abin .

"Ontem o STF votou contra a reestruturação da Abin, dizendo que aquilo é arapongagem. Mas, ao mesmo tempo, nós estamos vendo um processo que corre em segredo de Justiça, no Rio de Janeiro, e todo dia algum colega de vocês publica alguma coisa. Como é que ele publica alguma coisa sobre algo que corre em segredo de Justiça? Alguém está informando ele. Quem informa, faz por que? Ou porque está ganhando dinheiro ou porque está comprometido ideologicamente. Um serviço de inteligência também tem que trabalhar dessa forma. Isso não é arapongagem, isso não é bisbilhotagem, não é nada", disse Mourão.

Questionado sobre o relatório, elaborado pelo Ministério da Justiça, que listou 579 integrantes de grupos antifascistas , Mourão disse tratar-se de "defesa de Estado". A Abin é vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e não tem relação com o relatório.

O vice-presidente lembrou do caso do ex-ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli, exonerado após a descoberta de inconsistências em seu currículo, e disse que para descobrir essas inconsistências a Abin teria que "aprofundar a vida dele". Ele também afirmou que é preciso abandonar uma "certa hipocrisia" sobre esses assuntos.

" Isso é defesa do Estado . Quando houve o caso do Decotelli. Como é que, vamos dizer assim, a Abin iria descobrir que o dossiê do Decotelli era fake? Teria que aprofundar a vida dele. Isso não é arapongagem, dentro da visão que estão colocando? A gente tem que deixar de ter uma certa hipocrisia com determinado assuntos e ser objetivo",  defendeu.

No julgamento de quinta-feira, o STF declarou constitucional a norma que autoriza a Abin a solicitar a outros órgãos informações sigilosas relacionadas à defesa nacional. Os ministros ponderaram, no entanto, que esses pedidos devem ser acompanhados de fundamentação, para que se evite o uso dos dados para objetivos particulares.

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