Eduado Bolsonaro
Jorge William / Agência O Globo
Eduardo Bolsonaro deu uma palestra online pelo Itamaraty e minimizou pandemia

O deputado federal Eduardo Bolsonaro disse, nesta terça-feira, que a pandemia do novo coronavírus “é o laboratório perfeito para globalistas”. A declaração foi dada durante uma palestra on-line do filho do presidente Jair Bolsonaro na Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), centro de pesquisas do Itamaraty, sobre as relações do Brasil com os Estados Unidos.

Eduardo atacou o " globalismo " —  expressão usada por setores da direita para se referir às instituições internacionais —  ao ser questionado por um dos espectadores do evento virtual  “se os países estavam conseguindo resistir às investidas globalistas, ou estão seguindo as recomendações da Organização Mundial da Sáude ( OMS )”.

"A pandemia tem sido o laboratório perfeito para os globalistas . Tem gente que fica falando que ‘ah, Eduardo, isso é teoria da conspiração, não existe globalismo’. Mas nos vimos, mesmo aqui dentro do Brasil, órgãos e tribunais preterindo o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais de Saúde com bases em argumentos da OMS. Ou seja, colocou a OMS acima dos órgãos nacionais", respondeu o deputado. 

O filho do presidente também menosprezou a OMS , afirmando que ela “não sabe com o que está lidando” e citou como exemplo a resposta que a agência das Nações Unidas teve quando o presidente americano, Donald Trump, proibiu voos vindos da China. Eduardo Bolsonaro disse que na ocasião, a organização minimizou a gravidade da pandemia. Na ocasião, os conhecimentos sobre o novo coronavírus ainda eram limitados.

Na palestra, o deputado evitou temas como as eleições dos Estados Unidos e a taxação do etanol americano — na segunda-feira, Trump ameaçou retaliar o Brasil se país o aumentasse a tarifa sobre o combustível. Ao invés disso, Eduardo falou, além do globalismo, dos trâmites da aprovação do Acordo de Alcantara no Congresso, da primeira vez que encontrou o presidente americano e da Venezuela, entre outros temas.

A Funag, um órgão de pesquisa e divulgação do Itamaraty, mudou a orientação dos seus seminários no governo Bolsonaro . No lugar de diplomatas e professores de Relações Internacionais, passou a convidar para palestrar blogueiros, militantes e colunistas pró-governo federal, incluindo fundamentalistas religiosos e teóricos da conspiração, quase todos sem nenhuma atuação anterior na área diplomática ou internacional. O presidente da fundação, Roberto Goidanich, que mediou o evento desta terça-feira, comentou a questão no início da transmissão ao vivo.

"Felizmente nós estamos podendo ter um alcance [de público] um pouco maior, trazendo visões de mundo um pouco diferentes, por exemplo, a visão conservadora, que é uma visão predominante na sociedade brasileira", disse Goidanich, afirmando que essa mudança segue uma orientação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

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