Flávio Bolsonaro
Pedro França/Agência Senado
Flávio Bolsonaro

Para dar prosseguimento à apuração sobre supostas interferências do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, os investigadores da PF em Brasília solicitaram cópia dos inquéritos que tramitaram na Superintendência da PF do Rio de Janeiro com interesse direto do presidente, como o inquérito eleitoral contra seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Os investigadores também pediram acesso a um inquérito que teria incluído indevidamente o nome do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ), o Hélio Negão, e à investigação sobre as declarações do porteiro do condomínio de Bolsonaro no Rio, que havia prestado depoimento no caso Marielle afirmando que o acusado de assassinar a vereadora do PSOL pediu para ir à casa de Jair Bolsonaro no dia do crime. O porteiro voltou atrás das suas declarações após ser questionado pela PF.

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Como essas informações ainda não foram recebidas, a PF listou essa pendência ao solicitar a prorrogação de prazo por mais 30 dias do inquérito contra Jair Bolsonaro. No mesmo ofício, a PF afirmou que irá tomar o depoimento do presidente sobre os fatos investigados.

"Verificou-se a necessidade de apurar os fatos relacionados à referência realizada pelo delegado de Polícia Federal Carlos Henrique Oliveira de Sousa a respeito da existência de investigação criminal na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro no âmbito eleitoral envolvendo familiares do presidente da República, motivo pelo qual foi expedido o ofício n° 549/2020 para o juízo da 204ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro solicitando que se prestasse informações a respeito da situação do inquérito policial instaurado para se investigar eventuais crimes eleitorais por parte de familiar(es) do presidente da República, bem como encaminhasse cópia do referido inquérito", diz o despacho da PF.

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Reportagem do GLOBO mostrou que as declarações públicas de Bolsonaro pressionando por uma troca no comando da PF do Rio em agosto do ano passado tiveram início logo depois que um juiz eleitoral determinou que a PF realizasse diligências na investigação contra Flávio Bolsonaro, que apurava sua evolução patrimonial. A PF concluiu essa investigação sem realizar quebras de sigilo e recomendou o arquivamento, mas o Ministério Público do Rio discordou do posicionamento e dará prosseguimento ao caso.

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A Polícia Federal também solicitou relatórios de produtividade da Superintendência do Rio, para verificar se a justificativa que Bolsonaro apresentou para trocar o superintendente no ano passado, de baixa produtividade, é verdadeira ou não.

O pedido de prorrogação foi enviado na sexta-feira para a Procuradoria-Geral da República (PGR), para que o órgão opine a respeito das diligências e devolva a investigação para a PF dar prosseguimento. A expectativa é que essa manifestação seja feita ainda nesta segunda-feira.

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