Flávio Bolsonaro
Jefferson Rudy/Agência Senado
Flávio foi atacado por Witzel durante pronunciamento no Palácio das Laranjeiras.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) rebateu as acusações do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira para apurar desvio de recursos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus. Witzel disse que o presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, usou a PF para persegui-lo. E afirmou que o senador deveria estar na cadeia. Flávio passou a ser investigado em outro caso, sem relação com a operação de hoje, após a descoberta da movimentação financeira suspeita de Fabrício Queiroz, que era seu assessor.

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Flávio acusou Witzel de ser corrupto, dizendo que "muita coisa pode vir à tona". Também sugeriu que o governador está se fazendo de louco para não ser preso.

"Não fiz nada de errado. Estou sendo investigado há mais de dois anos, governador. Dois anos! Nem denúncia tem contra mim, porque não tem elementos para denunciar", disse Flávio em "live" no Instagram, acrescentando. "Não tem que ficar se preocupando comigo. Vá se preocupar em se defender, porque vai precisar".

Segundo Flávio, a investigação começou na Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas, como esbarrou em Witzel, teve que ser levada ao STJ, onde o governador teve foro privilegiado. Na esfera federal, coube à PF cumprir as medidas autorizadas pelo tribunal. Assim, não há que falar em perseguição. E aproveitou para refutar a tese de que as trocas realizadas em cargos de comando da PF, inclusive na superintendência do Rio de Janeiro, interessem a ele.

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"Nunca vi na vida o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O tempo todo, grande parte da imprensa querendo ajudar nessa narrativa que tinha algum interesse meu ali. Não tinha, nunca teve. Sempre confiei na Polícia Federal", disse o senador.

Na manhã desta terça-feira, durante a "Operação Placebo", autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a PF apreendeu no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio, computadores e celulares de Wilson Witzel. Os mandados tiveram por base duas investigações conduzidas pela força-tarefa da Lava-Jato no Rio e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ambas relacionam o nome do governador do Rio, Wilson Witzel, com empresários e gestores envolvidos com desvios nos recursos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus no estado.

"Esse é um ato de perseguição política que se inicia nesse país e isso vai acontecer com governadores inimigos. O senador Flávio Bolsonaro, com todas a provas que já temos contra ele, que já estão aí sendo apresentadas, dinheiro em espécie depositado em conta corrente, lavagem de dinheiro, bens injustificáveis, ele já deveria estar preso" disse Witzel mais cedo.

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O governador se elegeu em 2018 colando sua imagem à família Bolsonaro . Mas, uma vez no cargo, se afastou do clã. A antiga aliança foi lembrada por Flávio. "Acreditava em você, acreditava na sua palavra, acreditava que seria uma pessoa diferente. Jamais ia imaginar que ia ser um desses traidores que estão sendo derrubados um a um perto de nós no governo federal" disse Flávio.

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