Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM)
Agência Brasil/Marcello Casal JR
Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM)

Após ser demitido nesta quinta-feira, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta falou aos servidores do ministério que façam uma defesa intransigente "da vida, do SUS e da Ciência". Mandetta fez uma coletiva de imprensa no Ministério da Saúde para comentar sua saída do cargo e foi aplaudido de pé na chegada ao auditório.

Mais cedo, o ex-ministro anunciou nas redes sociais que foi comunicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre sua demissão do cargo. O clima de tensão entre Mandetta e Bolsonaro já se arrastava há algumas semanas devido a divergências na condução da crise causada pelo novo coronavírus.

"Esse problema é insignificante, nada tem significado que não seja uma defesa intransigente da vida, do SUS e da ciência. Fiquem nos três pilares que deles vocês conquistarão tudo, esses pilares alimentam a verdade. A ciência é a luz, o iluminismo, apostem suas energias através da ciência. Não tenham uma visão única, não pensem dentro da caixinha", disse o ministro.

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Em sua fala, Mandetta fez um alerta sobre o número de casos de coronavírus no Brasil. "A vida de uma pessoa na cracolândia tem o mesmo significado quando ela competir pelo leito de CTI com o homem mais rico desse país. Não pensem que não estamos livres de um pico de ascensão dessa doença. O sistema de saúde ainda não está preparado para uma marcha acelerada. Sigam orientações das pessoas mais próximas que estão em contato com a saúde, que são prefeitos, governadores e o próprio ministério da saúde."

Antes de Mandetta aparecer a público para a coletiva, uma servidora do ministério distribuiu máscaras aos funcionários do Ministério da Saúde e afirmou que "o ministro quer que todos coloquem máscaras". A galeria lateral do auditório ficou repleta de servidores em apoio ao ex-ministro.

"Lavoro, lavoro, lavoro. Vocês vão ficar com isso no ouvido de vocês por muitos anos", disse o ex-ministro ao chegar na coletiva.

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Enquanto o Paula Ferreira , o presidente falou reiteradamente sobre o desejo de afrouxar as medidas de distanciamento e retomar a circulação de pessoas para não prejudicar a economia. Nos bastidores, comentava-se amplamente sobre o descontentamento de Bolsonaro com o protagonismo do ministro à frente do combate à pandemia. Segundo pesquisa divulgada pelo DataFolha no início de abril, a política implementada por Mandetta na condução da crise era de 76%.

Ex-deputado federal, Mandetta assumiu o cargo de ministro da Saúde já no início do mandato do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019. Médico ortopedista, durante sua atuação parlamentar fez forte oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff e se posicionou contra políticas emblemáticas do governo PT, com o Mais Médicos. O então deputado votou a favor do impeachment da presidente.

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