Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta
José Dias/PR
Mandetta questionou politização do uso da cloroquina

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta , alfinetou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o infectologista David Uip, que disse nesta quarta-feira ter recomendado ao ministro a distribuição de cloroquina na rede pública de saúde para tratar casos de Covid-19 . Mandetta disse que a decisão sobre a distribuição para pacientes graves e críticos foi tomada por consenso em uma reunião com outros especialistas e disse que "ninguém é dono da verdade".

"Hoje, esse medicamento não tem paternidade. O governador não precisa querer politizar esse assunto. Esse assunto já está devidamente colocado. Precisamos que todos tenham maturidade, visão, foco e disciplina para que a gente possa atravessar esse momento", afirmou Mandetta durante entrevista coletiva.

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Mandetta disse que a decisão do governo de ministrar cloroquina para pacientes críticos e graves não foi tomada apenas com base na opinião de Uip, mas a partir da avaliação de outros especialistas.

"Nós deliberamos por um consenso... quer dizer, nem consenso foi porque teve um professor que achava que não. Que achava que tinha que ter mais estudo. Mas quem é que analisa isso? O Conselho Federal de Medicina", afirmou Mandetta.

O ministro disse ainda que uma recomendação para ampliar o uso de cloroquina em pacientes da Covid-19 não virá da "cabeça" de David Uip ou da sua.

"[Uma recomendação sobre o uso da cloroquina] não vai ser da cabeça do doutor Uip, não vai ser da minha cabeça. Não existe ninguém dono da verdade. Não existe nenhum estado melhor que outro. Não tem. Somos todos iguais", disse o ministro.

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Mandetta afirmou que pediu que o CFM se manifeste sobre o assunto até o dia 20 de abril. Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde é que apenas pacientes graves e críticos sejam medicados com cloroquina. Na terça-feira, Mandetta disse, no entanto, que os médicos têm autonomia para prescrever cloroquina em outras fases da doença desde que se responsabilizem por isso e informem os pacientes sobre os possíveis efeitos colaterais do medicamento como arritmias cardíacas.

As declarações ocorreram horas depois de Mandetta se reunir no Palácio do Planalto com Bolsonaro, no primeiro encontro individual com o presidente desde que ele passou a criticá-lo publicamente, na semana passada.

Enquanto o ministro da Saúde mencionava Uip e Doria, o secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, alflinetava o tucano no Twitter, também sem citá-lo nominalmente: "tem Governador precisando de um 'Gabinete da Verdade'".

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