Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta
Isac Nóbrega/PR
Avaliação do governo é que saída de Mandetta seria prejudicial

Demonstrações de apoio ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta , diante do risco de ser demitido do cargo, concentraram quase 60% das interações sobre o novo coronavírus  (Sars-CoV-2) no Twitter em 6 de abril, dia em que sua saída do foi cogitada pelo presidente Jair Bolsonaro . É o que aponta um levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV).

A base de apoio ao presidente, por sua vez, somou apenas 12% das interações naquele dia. As demais (15%) partiram de grupos que abordaram questões cotidianas de saúde, quarentena e impactos na economia. De acordo com a DAPP, o engajamento sobre a situação do ministro fez com que, pela primeira vez em uma semana, o debate diário sobre a pandemia fosse superior a 4 milhões de tuítes.

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Para o diretor da DAPP/FGV, Marco Aurelio Ruediger, o comportamento do Twitter nesse episódio aponta que, em meio à crise do novo coronavírus e à resposta negacionista de Bolsonaro diante da pandemia, o centro político tem se fortalecido nas redes.

"O centro político ressurge e a polarização muda completamente. Além da esquerda, tem o centro político e segmentos da direita que também se unem (em apoio a Mandetta). Quando você olha a rede, o grupo que ficou com Bolsonaro é aquele mais raiz", explica Ruediger, que ressalta que Mandetta consegue extrapolar a bolha mais à direita.

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O levantamento aponta que, desde o último sábado, intensificou-se na base pró-Bolsonaro a articulação de ataques políticos a Mandetta no Twitter. Após os ataques, a taxa de sentimento positivo nas postagens da rede social sobre o ministrou passou de 81%, entre 28 e 31 de março, para 52%, entre 4 e 7 de abril, de acordo com a DAPP/FGV.

"O ministro da Saúde começa a se tornar um inimigo a ser combatido", analisa Ruediger. "Os bolsonaristas foram pegos de surpresa e ainda não conseguiram se reagrupar. Se você tem uma polarização com a esquerda, a gente já tem uma experiência de como vai ser, mas, se o centro passa a protagonizar a oposição, é um pesadelo para o bolsonarismo, porque você agrega uma série de segmentos, inclusive da esquerda e da direita."

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