Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde
Marcos Corrêa/PR
Mandetta quase chegou a ser demitido nesta segunda (6) por Bolsonaro

O governo federal elabora um decreto para permitir que profissionais da saúde (médicos e enfermeiros) e pacientes infectados com Covid-19 e que estejam em estado grave possam fazer uso do medicamento hidroxicloroquina para o tratamento da doença. Porém, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta , se recusou a assinar o decreto após a reunião no Palácio do Planalto.

Ao final da conversa no Palácio do Planalto, Mandetta foi convidado a conversar com os médicos Nise Yamaguchi e Luciano Dias Azevedo. Eles defenderam que o ministro assinasse a liberação, mas Mandetta se recusou. Mandetta disse que aconselhou os dois especialistas a debaterem primeiro com os seus pares para depois submeter ao ministério.

"Me levaram, depois da reunião lá, para uma sala com dois médicos que queriam fazer protocolo de hidroxicloquina por decreto. Eu disse a eles que é super bem-vindo, os estudos são ótimos. É um anestesiologista e uma imunologista que lá estavam", afirmou Mandetta, em entrevista no Ministério da Saúde.

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"[Eu disse] que eles devem se reportar a você (referindo ao secretário Denizar Vianna, de Ciência e Tecnologia da pasta) e que eles devem, na sociedades brasileiras de imunologia e anestesia, fazerem o debate entre os seus pares. Chegando a um consenso entre seu pares, o Conselho Federal de Medicina e nós aqui do Ministério da Saúde, a gente entra. A gente tem feito isso constantemente", completou.

Mandetta afirmou que nesta segunda-feira (6), por exemplo, recebeu informações de pesquisas sobre um remédio, chamado ivermectina, usado para tratar gado, matar carrapato e deixar o pelo do animal bonito. O medicamento pode ser promissor para tratar o novo coronavírus. No entanto, o ministro destacou que será feito "pela ciência", repetindo diversas vezes a palavra.

"Vamos fazer pela ciência, ciência. Não vamos perder o foco: ciência, disciplina, planejamento, foco. Não perca. Esses barulhos que vêm ao lado, fulano falou isso, beltrano falou aquilo, esquece, eles estão aqui do lado", disse Mandetta.

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Logo depois, Denizar Vianna, secretário de Ciência e Tecnologia, falou que a pasta deve ter resultados para anunciar ainda no mês de abril sobre terapias seguras para tratar a Covid-19. Ele não deu detalhes sobre a quais medicamentos se referia.

"Estão em curso vários ensaios clínicos para testar esses medicamentos. Temos resultados preliminares ainda no mês de abril para oferecer terapias seguras e eficazes para a população. Temos que pautar as decisões baseadas em evidências científicas", disse Vianna.

O presidente Jair Bolsonaro tem sido entusiasta do uso da cloroquina para tratar o novo coronavírus, embora os testes ainda sejam iniciais e não haja ainda um protocolo estabelecido. Na contramão do discurso de Bolsonaro, Mandetta adota tom cuidadoso ao falar da substância.

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