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Em live, presidente voltou a minimizar letalidade do novo coronavírus

Um dia depois de reconhecer pela primeira vez a gravidade do avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar os efeitos da doença em transmissão ao vivo pelo Facebook na noite desta quinta-feira (19).

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De máscara, ao lado de uma intérprete de libras, ele começou a live combinando com ela — aparentemente sem saber que já estava no ar — o que seria um recado à imprensa por conta da declaração de dois dias atrás de que "vai ter uma festinha tradicional" no Palácio da Alvorada, no próximo sábado, seu aniversário.

"Eu vou falar "você foi convidada?", você fala "não", tá? Pro meu aniversário... e é verdade, ninguém tá mentindo aqui. Tá valendo aí? Brasília, 19 de março, 19h. Daqui a dois dias vai ter uma festa aqui em casa. Atenção, imprensa, vai ter uma festa aqui em casa, meu aniversário. Eu, a minha esposa e as duas filhas. Ou será que eu tô proibido de fazer essa festinha aqui em casa? Sempre foi assim, nunca tive comemoração de aniversário, não é porque eu não tive oportunidade, é porque eu não gosto mesmo, tá? Mas tudo bem...", declarou.

Em seguida, ele contou ter recebido a notícia de que o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Sergio Segovia, foi diagnosticado com o Covid-19, e fez questão de dizer que ele lhe disse que não está sentindo nada: "tudo normal a vida dele. Ele deve ter os seus 55 anos de idade, um pouquinho menos".

Em seguida, Bolsonaro relatou conversas com dois minitros infectados com o novo coronavírus , Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), e Bento Albuquerque (Minas e Energia). Com 72 e 61 anos de idade, respectivamente, ambos fazem parte do grupo de risco para a doença. Segundo o presidente, Heleno disse estar assintomático e que tinha acabado de "fazer 50 minutos de bicicleta". Já Albuquerque, também em isolamento domiciliar, teria falado apenas que sentia "vontade de trabalhar".

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"Logicamente, para essas pessoas, se não tivessem feito o teste, estariam trabalhando, transmitindo o vírus para alguém, obviamente, mas não estariam sabendo que estavam fazendo essa transmissão do vírus. Para algumas pessoas, mais idosas, que têm outros problemas, a infecção torna-se grave. E, realmente, em alguns poucos casos pode levar a óbito", afirmou o presidente.

Ele continuou reiterando a preocupação do governo com o Covid-19, mas logo aproveitou para fazer propaganda da entrevista que concedeu nesta quinta para o Programa do Ratinho, do SBT: "então a preocupação do governo existe, mas eu quero dizer a vocês o seguinte, que amanhã, às 22h30, no SBT, eu gravei uma entrevista de um pouco mais de uma hora para o Ratinho. Então falei muita coisa que vai ao ar amanhã, então não vou entrar em muito detalhe sobre a questão do coronavírus, até porque, amanhã, se Deus quiser, vai estar ali no Programa do Ratinho".

Referindo-se ao fechamento de fronteiras do Brasil com oito países, ele comentou que essa é uma medida que ajuda "a prevenir um pouco da entrada de pessoas possivelmente infectadas no Brasil". Na sequência, fez uma ponderação sobre a eficácia da iniciativa.

"Se bem que o trabalho de todos os países no momento é alongar a curva da infecção, porque se for muito rápida, não temos meio de atendê-los, com hospitais, com equipamentos e com UTIs. Se bem que é uma pequena parcela da população que estará sujeita a isso. Mais da metade, adquire o vírus e nem fica sabendo. Dessa outra metade que sobra, quase 80 e poucos por cento, segundo dados estatísticos aí, vão ter algum tipo de sintoma. E apenas em torno de 5%, e assim mesmo, um percentual menor disso, depois, em cima disso, que pega os mais idosos, que vai ter algum problema mais grave",  declarou.

"Mas obviamente estamos tomando as medidas todas cabíveis. O meu trabalho é não levar pânico à população brasileira", complementou o presidente.

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Ao fim, Bolsonaro lamentou a sétima morte contabilizada no Brasil após a chegada do Covid-19 e apontou que pedirá nesta sexta ao Ministério da Saúde que todos os óbitos registrados em decorrência do novo coronavírus sejam disponibilizados com a idade da pessoa e se a vítima sofria de algum problema prévio.

"Obviamente, em sendo infectado, até que ponto o vírus influenciou nesse óbito ou essa pessoa já estava numa situação bastante complicada pela idade avançada e também por problemas de saúde", afirmou.

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